Um estudo inovador conduzido pelo Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde da PUC-Rio, que acaba de ser premiado pela revista Value in Health Regional Issues, lançou luz sobre a eficiência dos sistemas de saúde em 23 países da América Latina e Caribe. A pesquisa comparativa, que abrangeu uma década de dados, identificou que 13 nações alcançaram um patamar de eficiência, com dez delas sustentando esse desempenho ao longo de todo o período analisado. Entre os destaques positivos, figuram países como Belize, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Guatemala, Honduras, Jamaica, México e Peru.

Em contrapartida, o estudo apontou quatro países que não atingiram o nível de eficiência definido pela pesquisa em nenhum momento dos dez anos: Barbados, Nicarágua, Uruguai e, notavelmente, o Brasil. O relatório enfatiza que a posição do Brasil entre os países menos eficientes não se deve à ineficácia ou a resultados absolutos ruins, mas sim a uma utilização menos otimizada dos recursos disponíveis. Dados indicam que o país investe um volume comparativamente maior em saúde, incluindo gastos, número de leitos e profissionais, para atingir resultados semelhantes aos de outras nações em termos de expectativa de vida e mortalidade infantil.

A pesquisa não identificou uma única variável causadora dessa ineficiência, atribuindo-a a uma complexa interação de fatores ligados à organização e gestão do sistema de saúde. É importante ressaltar que a metodologia empregada considerou um conjunto limitado de indicadores, não abrangendo aspectos como desigualdades regionais, dimensão territorial, perfil epidemiológico ou características específicas do sistema brasileiro, que também podem influenciar o desempenho. O Brasil foi o único país a aparecer entre os três menos eficientes em três anos distintos da análise.

Ao longo da década analisada, observou-se que quatro países melhoraram sua eficiência, seis registraram piora e 13 mantiveram seus níveis de desempenho. O estudo, premiado em um evento na Filadélfia, utiliza uma metodologia híbrida que combina Análise Envoltória de Dados (DEA) e regressão tobit, buscando fornecer evidências concretas para aprimorar a gestão de recursos públicos e a oferta de serviços de saúde, mesmo em contextos de restrições econômicas. A pesquisa visa preencher lacunas na literatura ao realizar uma análise comparativa abrangente para a região.