O envelhecimento acelerado da população brasileira impõe desafios significativos à saúde pública, mas neurologistas apontam que medidas proativas podem garantir a preservação da autonomia e da saúde cerebral na terceira idade. Um estudo inovador conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) investigou os efeitos de intervenções no estilo de vida em idosos com risco elevado de demência.

Durante dois anos, os pesquisadores monitoraram um grupo de idosos, avaliando o impacto da alimentação saudável, da prática regular de exercícios físicos, do treinamento cognitivo e do controle rigoroso de fatores de risco vasculares. Os resultados foram notáveis: o grupo que adotou essas medidas apresentou uma melhora global da cognição 25% superior à do grupo controle. Além disso, observou-se um aumento expressivo de 83% nas funções executivas e de 150% na velocidade de processamento cerebral.

"Ainda não conseguimos interromper a evolução dessas doenças, mas dispomos de tratamentos capazes de retardar sua progressão clínica, controlar os sintomas e preservar a funcionalidade dos pacientes. Quanto mais cedo ocorrerem o diagnóstico e o início do tratamento, maiores serão as chances de manter a qualidade de vida e a independência por mais tempo", explica a Dra. Larissy Degani, neurologista da Prati-Donaduzzi. Ela ressalta que, embora doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson não tenham cura, o acompanhamento médico precoce e o uso de terapias específicas, como memantina e galantamina, além de intervenções para sintomas neuropsiquiátricos, podem fazer uma diferença substancial na qualidade de vida.

Especialistas em gerontologia e neurologia concordam que fatores internos, como alterações biológicas inerentes ao envelhecimento (perda de neurônios, redução de sinapses, acúmulo de proteínas), e fatores externos modificáveis desempenham papéis cruciais. Sono insuficiente, tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada, estresse, além de condições como hipertensão, obesidade, depressão e ansiedade, podem impactar negativamente a cognição. A boa notícia é que a maioria desses fatores externos pode ser alterada. A adoção de uma dieta equilibrada, como a mediterrânea, a prática regular de exercícios físicos e a "ginástica do cérebro", através de atividades que estimulem a mente, são estratégias comprovadas para minimizar os riscos e promover um envelhecimento cerebral mais saudável e com maior autonomia.