Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a concessão de listas de exceção adicionais em tarifas para 13 economias, uma medida que prejudica a competitividade dos exportadores brasileiros. O Brasil ficou de fora dessas isenções extras, mantendo-se com tarifas de 10% a 12,5%, enquanto países como Argentina, Reino Unido, União Europeia e Malásia foram beneficiados com a exclusão de diversos produtos. Essa decisão intensifica a desvantagem do produto nacional no mercado americano.

A lista de produtos isentos para o Brasil e outros 46 países afetados pela investigação sobre trabalho forçado compreende 2.113 itens. No entanto, as isenções adicionais concedidas a outras nações, como 93 produtos a mais para a Argentina, 49 para o Reino Unido e 105 para a Malásia, criam um cenário de concorrência desigual. Um dos setores mais afetados é o de madeira processada, onde concorrentes como Argentina e Equador obtiveram tratamento diferenciado. Pedras preciosas, próteses médicas, diamantes e leveduras também estão entre os bens brasileiros que perderão competitividade, segundo cálculos do economista Sergio Vale, da MB Associados.

Segundo Welber Barral, sócio do Barral Parente Pinheiro Advogados e ex-secretário de Comércio Exterior, as isenções adicionais conferem uma vantagem horizontal a países como a Argentina em produtos agroindustriais, insumos naturais e químicos, além de madeira tropical. Para o Reino Unido, as exceções abrangem equipamentos médicos e produtos de maior valor agregado. Malásia e Indonésia, que competem com o Brasil em produtos florestais e óleos vegetais, também foram beneficiadas. Para o setor têxtil e de vestuário, Bangladesh, Camboja, Indonésia e Malásia poderão ter suas tarifas zeradas futuramente, criando uma desvantagem sensível para confecções e artigos de marca brasileira.

O principal prejuízo para o Brasil, contudo, não reside apenas nas listas de exceção adicionais, mas na estrutura tarifária geral imposta pelos EUA. O país acumula uma tarifa de 25%, que entrou em vigor recentemente, somada à de trabalho forçado, resultando em uma desvantagem total de até 27,5 pontos percentuais. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou preocupação, destacando que as listas adicionais de exceções para outras economias reduzem a competitividade do exportador brasileiro ao permitir que concorrentes acessem o mercado americano com menor custo. O governo brasileiro contesta as alegações americanas sobre trabalho forçado, considerando as sanções desproporcionais e injustas.