A China teve sua tentativa de ingressar nas negociações entre Brasil e Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC) barrada pelos norte-americanos. O governo chinês buscava participar como "terceira interessada" nas consultas abertas pelo Brasil para contestar as tarifas impostas pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros.

Segundo a justificativa dos Estados Unidos, a China não apresentou elementos que comprovassem o "interesse comercial substancial" exigido pelas regras da OMC para acompanhar a disputa. Pequim havia formalizado seu pedido em 6 de agosto, alegando que uma das medidas contestadas pelo Brasil afetaria também produtos chineses.

A possibilidade de um país terceiro participar de consultas na OMC está prevista no artigo 4.11 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias. No entanto, a participação só é permitida mediante o reconhecimento, pelo país que responde à contestação, de que o interesse apresentado pelo terceiro é suficientemente fundamentado. Esse requisito, na avaliação dos EUA, não foi cumprido pela China.

A iniciativa brasileira contra as tarifas americanas deu início a uma discussão formal dentro da OMC, onde o governo brasileiro busca contestar as medidas utilizando os instrumentos do sistema multilateral de comércio. Embora o mecanismo de solução de controvérsias da OMC enfrente limitações, a fase inicial ainda oferece espaço para negociação. O primeiro encontro entre representantes do Brasil e dos EUA está agendado para esta sexta-feira, 25, em Genebra, Suíça, com o objetivo de buscar um acordo. Caso as negociações falhem, o Brasil poderá solicitar a constituição de um painel para análise formal da controvérsia.