A partir desta quarta-feira, 22 de agosto, o governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, começa a aplicar uma tarifa de 25% sobre uma gama de produtos brasileiros. A decisão, que visa reforçar a política protecionista americana e reindustrializar a economia, impacta diretamente mais de US$ 11 bilhões em exportações do Brasil, abrangendo setores como indústria e agronegócio.

A investigação que fundamentou a nova taxação foi conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e teve como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. As acusações centrais giram em torno de supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil, que, segundo os EUA, prejudicam empresas americanas.

O relatório do USTR detalha críticas em seis áreas principais: comércio digital, serviços de pagamento – com foco no sistema Pix, considerado discriminatório –, acordos tarifários, desmatamento, propriedade intelectual e combate à corrupção. Os americanos argumentam que o Brasil favorece plataformas nacionais e mantém tarifas mais altas para produtos dos EUA em comparação com parceiros como México e Índia. Além disso, questionam a aplicação da legislação ambiental, a proteção à propriedade intelectual e a transparência em processos judiciais e anticorrupção.

Em resposta à medida, o governo brasileiro tem buscado avaliar o alcance da taxa e suas implicações. Apesar das críticas e da nova tarifa, uma lista considerável de mais de 2.100 itens brasileiros foi isenta da taxação. Entre os produtos que não sofrerão a tarifa estão carne bovina, suco de laranja e componentes para aeronaves, uma concessão feita após audiências públicas nos EUA com o objetivo de evitar o aumento de preços para consumidores e indústrias americanas.