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13.ago.2026 às 12h32 Diminuir fonte Aumentar fonte Isabella Menon Washington O governo de Donald Trump incluiu o Brasil em uma lista de mais de 40 países que, segundo a Casa Branca, apresentam risco elevado de serem utilizados para o chamado "transshipment" (transbordo) ilegal. O termo se refere à passagem de mercadorias de um determinado país por terceiros antes de entrar nos Estados Unidos para evitar tarifas ou outras medidas comerciais.

Em relatório divulgado nesta quinta-feira (13), a Casa Branca classificou o Brasil no segundo de três níveis de países que fariam parte do que o documento chama de "Shadow Transshipment Network", ou "rede paralela de transbordo".

Segundo o governo americano, o nível 2 reúne países com volumes significativos de transbordo e maior integração com cadeias de fornecimento, plataformas industriais, sistemas logísticos ou rotas de redirecionamento ligadas à China. Além do Brasil, integram a categoria Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã.

O documento afirma especificamente que Brasil e Turquia funcionam como "plataformas regionais maiores de produção e logística capazes de sustentar redirecionamentos ou alegações de transformação em determinadas categorias de produtos".

O nível 1 é composto pelos chamados "líderes diversificados de grande escala": países e blocos comerciais que respondem por grandes volumes absolutos de mercadorias ligadas à China, ao mesmo tempo em que mantêm bases industriais diversificadas e grandes plataformas de exportação destinadas aos Estados Unidos, como Canadá, União Europeia, Japão, Coreia do Sul e Taiwan.

O nível 3 reúne economias menores que, segundo a Casa Branca, apresentam volumes mais baixos de transshipment ilegal, mas possuem características que podem facilitar o redirecionamento de produtos ligados à China. É o grupo que reúne o maior número de países e inclui, entre outros, Camboja, Laos e Panamá.

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O relatório define como produtos "ligados à China" mercadorias que não são necessariamente declaradas como de origem chinesa ao entrar nos Estados Unidos, mas que apresentam indícios de origem econômica, controle ou conteúdo chinês.

Entre os elementos considerados estão componentes produzidos na China, propriedade ou financiamento chinês, relações com fornecedores ou fabricantes chineses, etapas de produção realizadas no país ou histórico das rotas comerciais.

A Casa Branca afirma que o transshipment pode envolver montagem ou processamento limitado, troca de etiquetas, reembalagem, emissão de novas faturas ou alterações de documentação destinadas a criar a aparência de uma origem nacional diferente para a mercadoria.

O próprio relatório ressalva, porém, que a redução das importações americanas diretamente da China e o aumento da participação de terceiros países não demonstram, por si só, que todo esse deslocamento corresponda a transshipment ilegal. Parte da mudança pode refletir alterações legítimas na produção, nos investimentos e nas fontes de fornecimento.

Além da classificação por níveis de risco, o relatório coloca Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Peru em uma categoria denominada "corredores latino-americanos". Segundo o documento, a função associada a esse grupo envolve redirecionamento de mercadorias pelos oceanos Pacífico e Atlântico, armazenamento alfandegado e montagem regional.

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Segundo Navarro, acordos comerciais negociados pelo governo Trump passarão a incluir uma cláusula sobre a prática, com previsão de punições para tentativas de triangular mercadorias.

"Se você tentar fazer transshipment, enfrentará penalidades, e elas serão duras", afirmou. Ele disse que a estratégia é atuar sobre os países que classificou como "facilitadores" da prática.

Durante o briefing, Navarro afirmou ainda que o combate à triangulação deverá fazer parte das negociações comerciais conduzidas pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

Segundo ele, dados da alfândega poderão ser usados para apontar aos parceiros comerciais quais produtos estariam sendo triangulados e exigir que a prática seja interrompida.

Navarro afirmou ainda que o governo estima entre US$ 40 bilhões e US$ 75 bilhões por ano em mercadorias envolvidas na prática. Segundo ele, os cálculos são conservadores e o valor real pode ser maior.

O assessor disse ainda que o reforço da fiscalização poderá resultar em "dezenas de bilhões de dólares" adicionais em arrecadação para o Tesouro americano.

"A percepção convencional era de que o transshipment ocorria, mas era relativamente pequeno e envolvia apenas alguns países. Mas nós encontramos mais de 40 países", disse ele.

O documento também descreve o desenvolvimento de um sistema chamado "Detective Border", que utiliza inteligência artificial para analisar dados do comércio internacional.

Segundo o relatório, algoritmos podem comparar a origem declarada das mercadorias, seu histórico de rotas e o conteúdo dos produtos com padrões esperados para identificar inconsistências e direcionar a fiscalização da alfândega americana para operações consideradas de maior risco.

Navarro afirmou que a Casa Branca trabalha com a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês) há mais de seis meses no desenvolvimento do sistema e que a expectativa é atingir escala plena ainda neste ano.

Segundo ele, a ferramenta permitirá analisar embarques destinados aos Estados Unidos e estimar, antes da chegada das mercadorias aos portos americanos, a probabilidade de que uma carga ou parte dela envolva transshipment. A partir dessa análise, os embarques poderão ser classificados por nível de risco para que a alfândega priorize aqueles considerados mais suspeitos.

Navarro afirmou ainda que, quando uma irregularidade for identificada em um embarque, a alfândega poderá, em determinadas circunstâncias, revisar operações anteriores. Segundo ele, é possível retroagir por até um ano e cobrar tarifas não apenas sobre a carga identificada, mas sobre outros embarques realizados durante esse período.

O conselheiro afirmou que o governo espera que a ampliação da fiscalização resulte na cobrança de dezenas de bilhões de dólares adicionais em tarifas. Ele também disse esperar que a medida proteja empregos e cadeias produtivas americanas.

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