O governo brasileiro e o setor produtivo aguardam com apreensão a iminente imposição de uma nova tarifa de 12,5% por parte dos Estados Unidos sobre produtos originários do Brasil. A medida faz parte de uma investigação americana sobre a importação de bens produzidos em condições análogas à escravidão. A expectativa é que a confirmação da sobretaxa ocorra até a próxima sexta-feira (24), prazo final para a conclusão do processo investigativo.
Lideranças empresariais e representantes do setor produtivo em Washington avaliam que a nova tarifa será cumulativa às alíquotas já existentes e que sua reversão será difícil. A preocupação reside na possibilidade de a taxa se somar aos 25% já estabelecidos sobre produtos brasileiros, elevando o custo total para muitos setores a níveis considerados inviáveis, como o de máquinas, equipamentos e calçados.
A investigação que pode levar à nova tarifa não é exclusiva ao Brasil, abrangendo um total de 59 países e também a União Europeia. O Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs a criação de tarifas adicionais por conta da "falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado", prática que, segundo o órgão, "onera ou restringe" o comércio americano. Para o Brasil e outros 53 países, a taxa proposta é de 12,5%.
Estima-se que a decisão americana possa afetar cerca de US$ 10,8 bilhões em exportações brasileiras, caso o relatório inicial do USTR seja mantido. Deste montante, US$ 7,2 bilhões já estão sujeitos à tarifa de 25%, enquanto outros US$ 3,6 bilhões seriam impactados pela nova sobretaxa de 12,5%. A legislação que embasa essas ações, o Trade Act de 1974, confere ao USTR poderes para agir contra práticas comerciais consideradas desleais por outros países.