O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) divulgou, no final da noite desta segunda-feira (1º), uma proposta para a imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações originárias do Brasil. A medida, no entanto, excluiria mercadorias classificadas como "sujeitas às tarifas de segurança nacional". A decisão final sobre a aplicação dessas tarifas caberá ao presidente Donald Trump.
O governo brasileiro reagiu com preocupação à proposta, considerando-a "inconsistente". O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, da Indústria e Comércio, a buscarem o diálogo com as autoridades americanas. Contudo, tanto diplomatas quanto assessores do Palácio do Planalto expressam receio de que os Estados Unidos transformem o debate econômico em uma questão política, com potencial para influenciar o cenário eleitoral brasileiro.
O diagnóstico interno aponta para a possibilidade de o governo americano reiterar argumentos já utilizados no ano anterior, possivelmente vinculando a nova imposição tarifária a questões internas do Brasil, como o método de pagamento instantâneo Pix. Essa estratégia seria uma forma de pressionar o país sul-americano em diferentes frentes.
Em uma tentativa de mitigar o desgaste e fortalecer a narrativa nacionalista, o governo brasileiro pretende utilizar o episódio para reforçar a defesa da soberania nacional. A estratégia política inclui a possibilidade de o presidente Lula associar a nova proposta de tarifação à recente viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, classificando-a como um ato de "lobismo contra o Brasil" por parte de representantes brasileiros.
