Os Estados Unidos apresentaram uma proposta para impor tarifas adicionais sobre importações de 60 economias, incluindo o Brasil, sob a justificativa de que estas nações falham em proibir e aplicar efetivamente a importação de bens produzidos com trabalho forçado. A medida, anunciada pelo USTR (Representante Comercial dos EUA), visa combater o que o governo americano considera uma concorrência desleal para trabalhadores dos EUA.

O governo brasileiro reagiu com "indignação" à proposta, sugerindo que a iniciativa americana possui um viés político, especialmente considerando a proximidade de uma sugestão anterior de taxação de 25% sobre todas as importações brasileiras. O USTR, por sua vez, classificou a falha do Brasil em implementar e fazer cumprir uma proibição efetiva contra produtos de trabalho forçado como "irrazoável", argumentando que as leis brasileiras atuais não impedem legalmente a venda de bens produzidos com trabalho análogo à escravidão em outros países.

Segundo o comunicado americano, 54 economias, incluindo o Brasil, Argentina, China, Japão, Reino Unido e Rússia, enfrentariam uma tarifa adicional de 12,5%. Outras seis economias, como Canadá, Equador, Indonésia, México, Paquistão e a União Europeia, teriam uma alíquota de 10%, por terem implementado algum regime parcial ou compromissos formais, como os do USMCA.

O embaixador Jamieson Greer, representante dos EUA, declarou que a falha dos parceiros comerciais em lidar com a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado é inaceitável e cria uma competição desigual. Ele ressaltou a necessidade de que todos os parceiros comerciais façam mais para garantir que o comércio global não incentive ou perpetue o trabalho forçado. As audiências públicas para discutir as ações propostas pelo USTR estão agendadas para o dia 7 de julho.