O governo dos Estados Unidos apresentou duas propostas de tarifas adicionais sobre importações brasileiras, visando práticas consideradas anticoncorrenciais e o uso de trabalho forçado. A primeira proposta, com alíquota de 25%, e a segunda, de 12,5%, foram submetidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) no início de junho de 2026. Embora as novas taxas ainda não estejam em vigor, o USTR iniciou um processo de consulta pública, que se estenderá até 6 de julho, seguido por uma audiência no dia seguinte. A decisão final sobre a implementação das tarifas caberá ao presidente Donald Trump, com prazo limite para 15 de julho, e sua entrada em vigor pode ser imediata.
O governo brasileiro, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), manifestou forte oposição às medidas. O ministro Márcio Elias Rosa tem agendada uma reunião virtual com o chefe do USTR, Jamieson Greer, para discutir o assunto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou as justificativas dos EUA como "mentiras" e embarca para a Europa para participar da reunião do G7, onde pretende encontrar Donald Trump pessoalmente para negociar a retirada da proposta de tarifas.
A investigação que fundamenta as tarifas é baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, um instrumento legal já utilizado anteriormente contra outros países. A análise abrange 59 nações e busca avaliar se parceiros comerciais dos EUA implementam medidas adequadas para coibir a entrada de produtos associados ao trabalho forçado em suas cadeias produtivas. Os EUA alegam que empresas estrangeiras utilizam essa prática para obter vantagens competitivas, prejudicando exportadores norte-americanos.
Uma preocupação adicional do lado brasileiro é a possibilidade de as duas propostas de tarifas se somarem, elevando o total para 37,5%. O governo brasileiro também levanta a possibilidade de que a tarifa global de 10%, atualmente em vigor até o final de julho e imposta após decisões judiciais restringirem o "tarifaço" inicial do governo Trump, possa ser mantida e somada às novas propostas. O caso brasileiro inclui também críticas a aspectos do comércio digital e ao funcionamento do Pix, o que gerou reações e esclarecimentos por parte do Departamento de Estado dos EUA, que negou intenção de derrubar o sistema de pagamentos instantâneos.
