O governo dos Estados Unidos anunciou a prorrogação por mais um ano de uma ordem executiva que impõe uma tarifa de 50% sobre o Brasil. A medida, justificada pela chamada Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, acusa o país de representar uma "ameaça extraordinária" à segurança e economia americanas. Segundo a Casa Branca, práticas adotadas pelo governo brasileiro interferem nos interesses dos EUA, violam a livre expressão de cidadãos americanos e os direitos humanos.

A administração americana também alega que membros do governo brasileiro estão envolvidos na "perseguição política" de um ex-presidente, sua família e apoiadores, em uma aparente referência a Jair Bolsonaro. O comunicado oficial cita o Supremo Tribunal Federal (STF) como um "promotor de censura", apontando para a prisão de indivíduos que exercem a liberdade de expressão e a censura de conteúdo online como atividades que ameaçam os interesses dos Estados Unidos.

A base legal original para a tarifa, a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, promulgada em 1977, foi considerada ilegal pela Suprema Corte dos Estados Unidos em fevereiro deste ano. A decisão judicial determinou que a lei "não autoriza o presidente a impor tarifas". Essa decisão bloqueou uma ferramenta importante utilizada pelo então presidente Trump para sua agenda econômica e diplomática.

Posteriormente, em julho, o governo americano aplicou outra tarifa de 25% contra o Brasil, desta vez justificada pela Seção 301. As alegações incluíram práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol, produção com trabalho forçado, corrupção e desmatamento. A prorrogação da tarifa de 50%, embora simbólica devido à decisão judicial anterior, sinaliza a continuidade das tensões entre os dois países em relação a questões econômicas e políticas internas brasileiras.