O presente e o futuro das relações econômicas entre Brasil e China estarão em destaque desta quarta-feira a sexta-feira em Xangai e arredores. Autoridades, diplomatas, líderes empresariais, investidores, acadêmicos e analistas dos dois países participam, no primeiro dia da agenda, do “Summit Valor Econômico Brazil-China 2026”, promovido pelo Valor em associação com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Associação do Povo Chinês para a Amizade com Países Estrangeiros (CPAFFC, pela sigla em inglês), para debater oportunidades nas relações bilaterais. E uma agenda de visitas a operações de empresas chinesas completará o programa nos dois outros dias, permitindo a troca de informações e experiências sobre inovação.

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Maior parceiro comercial do país há quase duas décadas, a China vem nos últimos anos aumentando ainda mais seus negócios com o Brasil. Números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) apontam que no ano passado os embarques brasileiros à China alcançaram US$ 99,9 bilhões (R$ 522,97 bilhões), com alta de 5,9% ante 2024. As importações tiveram expansão mais forte (11,4%), totalizando US$ 70,9 bilhões (R$ 371,15 bilhões). E, para 2026, a previsão de economistas é de continuidade dessa tendência. Estudo do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) aponta que o estoque total dos investimentos chineses no Brasil em 2024 somava US$ 77,5 bilhões (R$ 405,7 bilhões), colocando a nação asiática como quinto maior investidor estrangeiro no país.

A abertura do summit terá as participações de Marcos Galvão, embaixador do Brasil na China; Marcos Caramuru, conselheiro internacional do Cebri e ex-embaixador do Brasil na China; Shen Xin, vice-presidente da CPAFFC; Chen Jing, vice-presidente do Comitê Permanente do Congresso Popular Municipal de Xangai; Frederic Kachar, diretor-geral da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio (SGR); e Maria Fernanda Delmas, diretora de Redação do Valor.

Taiwan boicotará conferência da OMC após ser classificada como 'província da China' Não foi por falta de aviso que corremos risco de ficar sem fertilizantes Em seguida, acontecerão oito painéis, abordando os principais pontos de intersecção das economias dos dois países: “Brasil e China no Tabuleiro Global: Estratégias para um Mundo com Novas Relações Comerciais”; “Brasil e China na Liderança Global da Transição Energética e de Minerais Críticos”; “Logística e Infraestrutura: Linhas que Conectam Portos, Trilhos e o Investimento Chinês no Brasil”; “Forjando o Futuro: Saúde, IA e Setores Emergentes na Colaboração Brasil-China”; “O Agronegócio — Segurança Alimentar e o Próximo Ciclo de Crescimento do Agro Brasileiro com a China”; “Mobilidade do Futuro: os Planos da Indústria Chinesa no Brasil”; “Corredores Verdes: Desenvolvendo o Mercado de Combustíveis de Baixo Carbono na Aviação e no Transporte Marítimo Brasil-China”; e “Caminhos para um Ecossistema de Finanças Robusto”.

No primeiro painel, os debatedores serão Izabella Teixeira, conselheira consultiva internacional do Cebri e ex-ministra do Meio Ambiente; embaixador Marcos Galvão; Fang Li, representante-chefe do Escritório de Representação em Pequim do World Resources Institute (WRI); Xu Tianqi, vice-diretor do Departamento de Estudos Regionais do Instituto Chongyang de Estudos Financeiros da Universidade Renmin da China; e Briza Bueno, diretora-geral no Brasil da AliExpress.

Para debater o papel dos minerais críticos na transição energética, estarão presentes Ricardo Lima, CEO da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM); Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília; Gu Haidong, vice-prefeito de Suzhou; Han Zhao, executivo-sênior de investimentos do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB); Marcelo Sampaio, diretor-executivo de assuntos jurídicos e institucionais da Vale Minerals China; e Shelley Wang, chefe da unidade Brasil da Hexing Electrical.

A discussão sobre logística e infraestrutura contará com os painelistas Leonardo Ribeiro, secretário de Transporte Ferroviário do Ministério dos Transportes; Gao Liang, vice-presidente do China Overseas Engineering Group; Li Sisheng, vice-presidente executivo da Powerchina International; Ding Songbing, gerente-geral e chefe do departamento de estratégia e pesquisa do Shanghai International Port; e Zhang Jianyu, secretário-geral-adjunto e diretor-chefe de Desenvolvimento da Aliança Internacional para o Desenvolvimento Verde do Cinturão e Rota.

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O painel sobre saúde e inteligência artificial terá as participações de Igor Marchesini Ferreira, assessor especial do Ministério da Fazenda; Shirley Lu Han, especialista da Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Medicamentos e Produtos de Saúde (CCCMHPIE); Felipe Daud, diretor de relações institucionais do Grupo Alibaba para América Latina; Leticia Frazão Leme, ministra conselheira na Embaixada do Brasil em Pequim; Chen Weijing, vice-diretora da Agência Municipal de Comércio de Hangzhou; Zhou Yong, CMO da Hangzhou StarSpecies Robotics; e Hui Jingbo, diretor de marketing da Hangzhou Zhizhen Technology.

O debate voltado ao agronegócio vai reunir Pablo Machado, vice-presidente-executivo de negócios na China e de estratégia da Suzano; Kevin Chen, reitor internacional da Academia Chinesa de Desenvolvimento Rural (CARD); Larry Lin, representante-chefe do escritório da Minerva na China; André Guimarães, diretor-executivo do Ipam; Inty Mendoza, representante-chefe para a China do CNA/Senar; e Tian Lei, presidente da Associação de Produtores de Carne de Tianjin.

Para falar sobre mobilidade e indústria automotiva, estarão presentes Sidney Levy, presidente da Invest.Rio; Victor Oliveira de Queiroz, gerente-geral do escritório da ApexBrasil em Pequim; Priscila Sakalen, secretária de Transporte e Mobilidade Urbana do Estado do Rio de Janeiro; Cui Hongbin (August), diretor de projetos para a América Latina de sistemas de energia internacionais da CATL; e um representante da BYD.

O painel sobre combustíveis verdes terá Sergio Peres, professor da Universidade de Pernambuco (UPE); Larissa Wachholz, senior fellow do Cebri; Feng An, diretor-executivo do Centro de Inovação de Energia e Transporte (iCET); Shen Wang, CEO da SafPac; Li Zhenglong, vice-diretor da Universidade de Zhejiang; e Xia Shubiao, gerente do centro de P&D em tecnologia de segurança da China Marine Bunker.

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No encerramento dos debates, para discutir mecanismos de financiamento, estarão reunidos Ricardo Damiani, representante do Banco do Brasil na China; embaixador Marcos Caramuru; Lucas Reis, líder sênior de financiamento climático do BNDES; Li Zhiqing, diretor-executivo do Instituto de Finanças Verdes da Universidade Fudan; Wu Changhua, representante da Global Climate Academy; Liao Shuping, pesquisador sênior do Instituto de Pesquisas do Banco da China; e Ruiming Song, consultor especial para clima da Century City Holdings.

Os painéis terão a mediação de Fernanda Delmas; Zínia Baeta, editora executiva do Valor; Lucas de Vitta, editor-assistente de Internacional do Valor; Maria Luiza Filgueiras, editora do Pipeline; Marli Olmos, repórter especial do Valor; e Marcelo Ninio, colunista do GLOBO baseado em Pequim.

Além dos debates, que acontecerão no Hotel Mandarin Oriental, a programação do summit inclui dois dias de visitas a empresas que vêm se destacando mundialmente pelas inovações tecnológicas introduzidas em seus setores de atuação. Na Alibaba, serão apresentadas soluções de inteligência artificial e ambiente de nuvem; na JD (Jingdong Group, maior varejista do país), logística; na Fourier, robótica; na Envision, transição energética.

O “Summit Valor Econômico Brazil-China 2026” é o terceiro evento do gênero promovido pelo jornal na China desde 2024. Esta edição tem patrocínio de BYD, Prefeitura do Rio, por meio da Invest.Rio, Embratur, governo do Estado do Rio de Janeiro e ApexBrasil, com apoio de Prefeitura de São Paulo e São Paulo Negócios, Suzano, CBMM, Alibaba, World Resources Institute, Instituto Clima e Sociedade (iCS ), CNA Senar e Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os painéis terão transmissão pelo site e pelas redes sociais do Valor. Haverá cobertura em inglês no Valor International. Não há despesas bancadas pelo jornal em caso de convites feitos a agentes públicos que façam parte dos debates.