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29.abr.2026 às 12h30 Diminuir fonte Aumentar fonte Ouvir o texto André Borges Brasília Exportadores de carne no Brasil enviaram um pedido ao governo federal para terem acesso às linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, de apoio a setores da indústria impactados pela guerra que Estados Unidos e Israel promovem contra o Irã. A medida provisória foi publicada em março.
O pleito apresentado na semana passada partiu da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) e da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne). A medida provisória estipulou o acréscimo de R$ 15 bilhões ao programa, anunciado originalmente em agosto de 2025.
As associações argumentam que, embora a medida provisória que criou o plano tenha sido concebida para apoiar setores impactados pela crise, a regulação limita o alcance do programa.
O pedido foi encaminhado no dia 17 de abril ao ministro do MDIC (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Márcio Elias Rosa. A reportagem questionou a pasta sobre o assunto, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.
A ABPA e a Abiec confirmaram, em nota conjunta, que acionaram o governo. "A iniciativa também busca contribuir para o aprimoramento dos instrumentos já anunciados, considerando as características específicas das exportações de proteína animal", afirmaram as associações.
Segundo as entidades, o setor atende cerca de 180 mercados internacionais, com impacto em milhões de empregos diretos e indiretos no Brasil. "O atual cenário internacional tem ampliado prazos de entrega e de recebimento, ao mesmo tempo em que eleva custos operacionais e exige maior previsibilidade na gestão financeira, especialmente para pequenas e médias empresas", declararam.
No pedido enviado ao governo, as instituições afirmam que há uma "assimetria entre o objetivo da política pública e sua operacionalização", por ficarem de fora das linhas de financiamento voltadas apenas para a indústria de transformação, excluindo o agronegócio exportador.
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A escalada de conflitos no Oriente Médio gerou instabilidade para o comércio marítimo, afetando rotas como o canal de Suez e o estreito de Hormuz. Exportadores brasileiros tiveram de fazer mudanças logísticas, com redirecionamento de barcos e uso de portos intermediários, o que gerou aumento do tempo de transporte em até 15 dias. Isso gera mais custos com frete, seguros e sobretaxas de risco.
Como mostrou a Folha, o mar Vermelho passou a ser uma das rotas alternativas mais usadas.
O impacto também é sentido na estrutura comercial das empresas. Com prazos mais longos entre produção, embarque, entrega e pagamento, o ciclo do capital de giro cresce. Sentem mais as pequenas e médias empresas, que têm menor capacidade de absorver o choque financeiro.
Em março, as exportações brasileiras de carne bovina para países do Oriente Médio próximos do conflito somaram 18 mil toneladas, abaixo das 22 mil toneladas registradas em fevereiro, queda de mais de 20%. O impacto é semelhante nas exportações de frango, com redução de 18,5% entre os dois meses.
Pelas regras atuais da MP, estão incluídas no plano empresas que exportam para Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã, e seus fornecedores. Para ser elegível, o exportador ou fornecedor precisa ter ao menos 5% do seu faturamento atrelado às vendas para a região.
Os R$ 15 bilhões agora disponibilizados para os exportadores virão de superávit do FGE (Fundo de Garantia à Exportação) –no ano passado, o Brasil Soberano emprestou pouco mais da metade dos R$ 30 bilhões disponibilizados.
As taxas de juros mensais vão de 0,94% a 1,41%, com carência de um a quatro anos. O prazo total para pagamento, no caso de empréstimos para investimento, chega a 20 anos. Para giro de capital, cinco anos.
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