A proposta de extinção da escala de trabalho 6x1 e a consequente redução da jornada semanal têm provocado forte reação do setor produtivo brasileiro. Representantes de diferentes segmentos econômicos manifestam preocupação com a rigidez da medida e alertam para potenciais impactos generalizados nas cadeias produtivas e nos custos operacionais, que poderiam ser repassados aos consumidores.
No agronegócio, produtores rurais destacam as particularidades do trabalho no campo, como as janelas de plantio e colheita, que exigem flexibilidade de horários e não se adequam a uma escala fixa. Clorialdo Roberto Levrero, da Abisolo, e Marcelo Bertoni, da CNA, argumentam que a necessidade de cumprir prazos específicos pode ser prejudicada, impactando diretamente a produtividade. Bertoni defende a negociação individual entre empregador e empregado, considerando que a relação é de interdependência.
O setor supermercadista, por sua vez, aponta o desafio para pequenas empresas em se adaptar a novas escalas, especialmente com a redução da jornada. João Galassi, da Abras, sugere que a escala 5x2, mantendo a jornada de 44 horas, seria mais absorvível, mas adverte que o aumento de custos, caso não haja compensação, será repassado ao consumidor. Erlon Ortega, da Apas, estima um aumento de preços entre 9% e 10% e ressalta que o impacto se estenderá a outros setores como condomínios e restaurantes, além de agravar o déficit de vagas.
Da perspectiva da indústria, a Fiemg e a CNI alertam para o aumento dos custos com empregados formais, que podem variar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões anualmente. Fernanda Ribas, da Fiemg, prevê repasse aos preços de produtos, potencial aumento da inflação e redução do poder de compra. Há também o temor de um crescimento da informalidade, com empresas demitindo funcionários formais para absorver o aumento das despesas. Paulo Skaf, da Fiesp, criticou a rigidez da proposta, considerando-a um "atraso absoluto" e motivada por interesses políticos e eleitorais.
