O Brasil alcançou um novo recorde em importações durante o mês de junho, registrando o maior valor da série histórica do Fisco, segundo dados recentes. Este desempenho expressivo vem após a revogação da chamada "taxa das blusinhas", que antes impunha um imposto de importação federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 e 60% para valores superiores. A isenção, oficializada por medida provisória em maio deste ano, parece ter estimulado significativamente o fluxo de mercadorias estrangeiras para o país.

Os números de junho superam as expectativas, consolidando o fim da "taxa das blusinhas" como um fator determinante. Em maio, mês em que a medida provisória foi assinada, o valor total de remessas que entraram no Brasil já havia registrado um aumento de quase 30%. Em junho, essa tendência de alta se acentuou, com um crescimento de cerca de 37% no volume de importações. As compras consideradas nesta análise são aquelas realizadas dentro do âmbito do Programa Remessa Conforme, que estabelece o recolhimento de impostos estaduais no ato da compra, agilizando o processamento pelo Fisco e a entrega dos produtos.

Apesar da recepção positiva por parte dos consumidores, a extinção da "taxa das blusinhas" gerou forte reação no setor privado. Entidades representativas da indústria e do comércio pressionaram o Congresso Nacional para reverter a medida, argumentando que a isenção tributária para produtos importados cria uma disparidade significativa em relação às empresas brasileiras. Segundo elas, plataformas estrangeiras operam com custos menores, desfavorecendo a produção nacional e a geração de empregos.

Em um manifesto conjunto, as associações defenderam a "isonomia tributária", afirmando que a isenção cria uma concorrência desleal e prejudica a economia. A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) destacou que a manutenção da medida pode levar à destruição de empregos no Brasil e ao enfraquecimento da economia nacional, clamando por um tratamento equitativo entre empresas nacionais e estrangeiras.