O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou um comunicado após sua visita ao Brasil para a elaboração do Artigo IV de 2026, destacando a resiliência da economia brasileira frente a diversos choques. A equipe do FMI, liderada pelo economista Daniel Leigh, reconheceu as medidas fiscais adotadas pelo governo, mas enfatizou a necessidade de reformas estruturais mais ambiciosas para garantir a trajetória de queda da dívida pública.

Segundo o comunicado, o país deve aproveitar a receita adicional proveniente da alta nos preços do petróleo para aprimorar sua credibilidade fiscal. A recomendação é que esses lucros extraordinários sejam economizados, enquanto se oferece suporte temporário e focalizado a quem necessita. A implementação de um plano fiscal robusto, com reformas que abordem a rigidez das despesas e o gasto público, seria crucial para reduzir os custos de empréstimo e liberar recursos para investimentos prioritários.

O FMI projeta que a economia brasileira continue a se recuperar, com crescimento previsto para atingir cerca de 2,5% no médio prazo. A política monetária do Banco Central, que tem focado na meta de inflação e levado à redução dos juros, foi considerada apropriada. No entanto, o órgão ressalta a importância de manter flexibilidade nas futuras decisões, dadas as incertezas geopolíticas, especialmente a guerra no Oriente Médio, e as novas pressões inflacionárias.

Adicionalmente, o FMI elogiou a resiliência do setor financeiro brasileiro e recomendou vigilância contínua, com foco no risco de crédito para pessoas físicas. Reforçar a supervisão bancária e do sistema financeiro, incluindo a resolução de problemas de falta de mão de obra no Banco Central e a proteção jurídica de seus funcionários, foram apontados como prioridades. As reformas estruturais e a agenda de transformação ecológica também foram vistas como essenciais para o crescimento de longo prazo, necessitando de avanços na melhoria do ambiente de negócios, promoção da concorrência e ampliação da participação no mercado de trabalho.