O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou suas projeções para a economia global em 2026, estimando um crescimento de 3,0%. Essa projeção representa uma leve desaceleração em comparação com relatórios anteriores, atribuída principalmente às crescentes tensões geopolíticas e ao aumento dos preços da energia, intensificados pelo conflito no Oriente Médio. No entanto, o FMI também destaca o papel fundamental da inteligência artificial (IA) como um fator de sustentação para os investimentos, a produtividade e a atividade econômica mundial, mitigando parte dos efeitos negativos dos choques externos.

Em um cenário de incertezas, o Brasil emerge como um destaque positivo nas projeções do FMI. O país teve sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 elevada em 0,5 ponto percentual, atingindo 2,4%. Para 2027, a expectativa é de uma expansão de 2,2%. A instituição financeira atribui essa melhora à resiliência demonstrada pela economia brasileira diante de um ambiente externo adverso, beneficiada, em parte, pela menor exposição direta às interrupções no fornecimento de energia oriundas do Oriente Médio.

A redução na projeção global de crescimento para 2026, de 0,1 ponto percentual, deve-se em grande medida ao aumento das tensões no Oriente Médio, que elevou o risco para o abastecimento global de petróleo. O FMI prevê que o preço médio do barril de petróleo suba para US$ 89 em 2026, um aumento de 32% em relação a 2025. Consequentemente, a expectativa para a inflação global também foi ajustada para cima, passando de 4,1% em 2025 para 4,7% em 2026, refletindo os custos mais elevados de energia e alimentos.

Enquanto isso, o FMI aponta trajetórias distintas para as duas maiores economias do mundo. A China enfrenta uma desaceleração estrutural, impactada pela alta dos preços da energia e incertezas persistentes, apesar de um forte desempenho inicial em 2026 impulsionado pela manufatura de alta tecnologia. Os Estados Unidos, por outro lado, mantêm projeções estáveis, beneficiados por serem exportadores líquidos de energia e pelo robusto investimento empresarial em IA. O relatório também alerta que os riscos para a economia global continuam predominantemente negativos, com potencial para novas escaladas no Oriente Médio, embora ganhos de produtividade com a IA possam impulsionar o crescimento acima das projeções atuais.