O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou projeções que indicam um crescimento de 2,4% para a economia brasileira em 2026. No entanto, o relatório também aponta para um cenário de alta inflação e uma dívida bruta que se aproxima perigosamente de 100% do Produto Interno Bruto (PIB). A instituição estima que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará o ano em 5,6%, um patamar significativamente acima do centro da meta de 3% e do limite superior de 4,5% estabelecido pela política monetária.

Apesar de reconhecer a resiliência da economia brasileira frente a choques externos, especialmente os benefícios dos termos de troca favoráveis devido à alta dos preços do petróleo, o FMI enfatiza a necessidade de um esforço fiscal mais robusto. A instituição recomenda que o governo poupe os ganhos extraordinários provenientes da arrecadação com petróleo, em vez de destiná-los integralmente a subsídios para combustíveis. Essa medida seria parte de um ajuste fiscal mais amplo.

Para colocar a dívida pública em uma trajetória consistente de queda, o FMI propõe um ajuste fiscal equivalente a 3 pontos percentuais do PIB, a ser implementado ao longo de cinco anos, entre 2026 e 2031. Segundo as estimativas do Fundo, um ajuste dessa magnitude permitiria reduzir a dívida pública para cerca de 85% do PIB até 2031, um cenário consideravelmente mais otimista do que o cenário-base projetado, onde a dívida superaria os 105% do PIB.

O relatório também aborda riscos que podem afetar as projeções. Uma escalada do conflito no Oriente Médio, por exemplo, poderia pressionar ainda mais os preços globais de energia, elevar a inflação e manter as taxas de juros internacionais em patamares elevados por mais tempo. No âmbito doméstico, um esforço fiscal aquém do projetado poderia aumentar o prêmio de risco, encarecer o financiamento da dívida pública e desestimular o investimento privado. O FMI destaca ainda a consolidação da China como principal parceiro comercial do Brasil e as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.