O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou uma análise indicando que os efeitos macroeconômicos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o Brasil tendem a ser limitados. Segundo o relatório, a resiliência da economia brasileira diante de choques externos é notável, e as exportações para os EUA representavam menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional antes da elevação das tarifas. Adicionalmente, o Brasil conseguiu compensar a queda inicial nas vendas para o mercado americano expandindo suas exportações para outras nações, com destaque para a soja comercializada com a China.
O FMI também abordou a proposta de tarifas adicionais dos EUA sobre produtos brasileiros, que, se implementadas, deverão ter um impacto "modesto" na economia do país. Essa avaliação se baseia no grande número de exceções previstas e no fato de que os Estados Unidos respondiam por aproximadamente 11% das exportações brasileiras em 2025. A instituição financeira internacional ainda ressaltou que o Brasil foi relativamente protegido do aumento dos preços do petróleo, decorrente de conflitos no Oriente Médio, por ser um exportador líquido da commodity e possuir uma matriz energética majoritariamente renovável.
Contudo, o relatório aponta que o governo brasileiro precisará de um ajuste fiscal mais ambicioso para garantir uma trajetória de queda consistente da dívida pública. O FMI projetou a inflação para o final de 2026 em 5,6%, superando a meta de 3% estabelecida pelo Banco Central. Para o mesmo ano, a previsão de crescimento econômico é de 2,4%, impulsionado por termos de troca favoráveis e apoio fiscal, embora a política monetária restritiva deva desacelerar o ritmo em 2027.
Em suas recomendações, o FMI sugeriu que o governo utilize receitas extraordinárias do petróleo para fortalecer as contas públicas, em vez de aumentar gastos. A instituição também enfatizou a importância de reduzir rigidezes orçamentárias, revisar benefícios tributários ineficientes e fortalecer o arcabouço fiscal com uma âncora de médio prazo para a dívida. O sistema financeiro brasileiro foi considerado sólido, mas o FMI recomendou o reforço da supervisão do setor e o enfrentamento do endividamento familiar, além de avanços na regulação de criptoativos e cibersegurança.
