A declaração tem como resquício ainda a derrota histórica com a indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal), que contou com a influência de Davi para o resultado negativo ao governo.

Lula avalia reenviar o nome de Messias ao Senado, numa tentativa de transformar a derrota em demonstração de força política. A avaliação é de que recuar agora poderia consolidar uma vitória de Alcolumbre sobre o Planalto.

Flávio se reunirá com bancada do PL após divulgação de áudio com VorcaroOposição na Câmara apresenta convite para PF explicar troca em caso do INSSInvestigação cita ameaças e "pressão física" sobre desafetos de Vorcaro A derrota de Messias expôs a fragilidade da articulação política do governo, que sequer conseguiu contabilizar os votos garantidos a Lula nem antever uma derrota.

A relação, porém, já vinha desgastada desde antes da oficialização da escolha de Messias. Alcolumbre defendia o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) à vaga. Mesmo sob pressão de integrantes da Casa e alerta da base sobre o risco de derrota, Lula decidiu manter a indicação.

Após a derrota, o clima entre Lula e Alcolumbre piorou de vez. Na posse de Kassio Nunes Marques na presidência do TSE, os dois sentaram-se lado a lado, mas não trocaram cumprimentos nem conversaram durante a cerimônia.

Além da disputa pelo STF, senadores relatam forte mal-estar com operações policiais e vazamentos que atingiram parlamentares. A exemplo da operação contra o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), e a divulgação de áudios do senador Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Aliados de Alcolumbre afirmam que o Planalto ignorou sinais claros de insatisfação dentro da Casa e perdeu capacidade de articulação no Senado. Mesmo diante do desgaste, porém, interlocutores do presidente afirmam que Lula ainda não desistiu de Jorge Messias e avalia uma nova ofensiva para tentar viabilizar o nome do AGU ao Supremo em breve.