O renomado economista Gabriel Zucman, professor da Escola de Economia de Paris e da Universidade da Califórnia em Berkeley, está no Brasil para o lançamento de seu mais novo livro, "Os Bilionários Não Pagam Imposto de Renda e Nós Vamos Acabar com Isso". A obra representa uma continuação de seu embate público contra a concentração de riqueza e poder nas mãos de uma elite global, argumentando que a falta de tributação adequada sobre os mais ricos representa uma ameaça cada vez maior à estabilidade democrática.

Zucman apresenta dados que revelam a disparidade tributária em diversos países, incluindo o Brasil. Em seu estudo, o economista demonstra que os indivíduos mais ricos, correspondentes a uma pequena fração da população adulta (0,01%), pagam uma carga tributária efetiva que é aproximadamente metade da paga pelo cidadão comum. Na França, por exemplo, enquanto a média de impostos sobre a renda é de 51%, os super-ricos contribuem com apenas 25%. No Brasil, a alíquota efetiva média é de 42,5%, mas os bilionários e multimilionários recolhem menos de 20% de sua renda anual aos cofres públicos.

A solução proposta por Zucman para mitigar esse cenário é a implementação de um imposto mínimo global de 2% sobre a riqueza. Essa medida, cobrada diretamente sobre o patrimônio e não sobre a renda, teria como objetivo dificultar as elisões fiscais e garantir que os mais ricos contribuam de forma mais equitativa. O economista argumenta que essa taxa seria um complemento justo, visto que a riqueza dos super-ricos gera retornos anuais médios de cerca de 6%, e um terço desse rendimento, ao ser taxado, equivaleria a uma alíquota de 33% sobre a renda, semelhante à paga pela classe média alta.

Além de promover a justiça fiscal, Zucman estima que a arrecadação adicional gerada por esse imposto poderia ter um impacto significativo nas contas públicas. No Brasil, a aplicação de 2% sobre o patrimônio de indivíduos com mais de US$ 100 milhões poderia gerar aproximadamente R$ 30 bilhões, cobrindo metade do atual déficit fiscal primário. Contudo, o benefício mais substancial apontado pelo economista é a contenção do acúmulo de poder econômico por um pequeno grupo, o que, segundo ele, é fundamental para a preservação do funcionamento das sociedades democráticas.