A percepção de que a Geração Z estaria se tornando mais conservadora que seus antecessores, impulsionada por tendências internacionais e fenômenos culturais, pode não se aplicar ao contexto brasileiro. Um novo estudo realizado pela Quaest, a pedido do instituto More in Common, lança luz sobre as atitudes políticas e de costumes dos jovens brasileiros.

O levantamento, focado na faixa etária de 16 a 24 anos, que abrange a maior parte da Geração Z, revela que, apesar de uma maioria se identificar como conservadora – 68% entre os homens e 62% entre as mulheres –, esses percentuais são inferiores aos observados em gerações mais antigas. Essa constatação desafia a narrativa de um avanço conservador generalizado entre os mais jovens no país.

A pesquisa aponta para uma juventude que se posiciona de forma intermediária em debates sobre costumes. Há um apoio notável à igualdade de direitos para as mulheres, um indicativo de progressismo em pautas sociais. Contudo, o estudo também evidencia uma resistência, especialmente entre os jovens homens, a rótulos políticos como o feminismo e a aceitação de certas minorias sociais, como travestis e mulheres trans.

Helena Vieira, professora e gestora cultural que atuou como consultora do estudo, ressalta que o conservadorismo não parece ser uma exclusividade geracional. "Descobrimos que o conservadorismo não tem uma especificidade geracional", afirma. Ela explica que "existe uma aceitação de determinados conteúdos políticos, mas uma rejeição das identidades políticas que os mobilizam", sugerindo uma complexidade nas visões de mundo da Geração Z brasileira, que vai além de simples classificações ideológicas.