O governo federal dará um passo significativo no combate ao crime organizado com a criação de dois Escritórios Nacionais Antifacção (ENA). As novas unidades serão estabelecidas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, consideradas estratégias devido à sua importância como centros de atuação das maiores facções criminosas do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, respectivamente. A implementação dos ENA está prevista para este mês e ficará sob a coordenação da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

A escolha de São Paulo e Rio de Janeiro para sediar os primeiros escritórios visa ampliar a presença da União em territórios considerados cruciais para a desarticulação do crime. A atuação dos ENA será focada em estratégias de asfixia financeira das organizações criminosas e no combate ao tráfico de armas. A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo do governo, que lançou recentemente o programa Brasil Contra o Crime Organizado, prevendo investimentos bilionários em estruturas de segurança estaduais e linhas de crédito para as unidades da federação via BNDES.

Em uma visão de longo prazo, o plano do governo é expandir essa estrutura com a criação de mais três escritórios em outras regiões estratégicas do país: Fortaleza, Manaus e Foz do Iguaçu. Essa expansão visa cobrir todas as regiões brasileiras, com destaque para a importância logística de Manaus na Amazônia e de Foz do Iguaçu na Tríplice Fronteira. Os escritórios terão a função de articular o trabalho de diversas instituições, como polícias e o Ministério Público, promovendo a integração entre órgãos municipais, estaduais e federais.

Os Escritórios Nacionais Antifacção funcionarão como centros de articulação para a formulação de operações conjuntas e darão suporte a outras iniciativas do Ministério da Justiça, como o Comitê Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (Cifra). Este comitê reúne diferentes órgãos para desarticular financeiramente as organizações criminosas, focando em lavagem de dinheiro e uso de empresas, inclusive fintechs, para tais fins. O projeto Captura, voltado para a identificação e prisão de criminosos de alta periculosidade, também receberá apoio dos ENA. No Rio de Janeiro, o escritório apoiará ações de segurança alinhadas à ADPF das Favelas, que estabelece regras para combater a letalidade policial em operações nessas comunidades.