O cenário foi analisado pela comentarista de Economia do CNN Money Rita Mundim que alertou para os riscos crescentes das contas públicas brasileiras. O quadro fiscal preocupante se soma ao crescente endividamento das famílias brasileiras.

O Banco Central também divulgou inadimplência recorde nas operações de crédito, de 4,7%, e revelou que o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas chegou a quase 30%.

Mundim alertou que o modelo econômico baseado na indução ao consumo e à tomada de crédito, com promessas de linhas de financiamento mais baratas do que as do mercado, está agravando o problema.

"O governo, em ano eleitoral, intensifica esse apelo ao consumo e cria um crescimento que não é sustentável", afirmou.

A comentarista comparou o cenário atual à crise que afetou o Brasil entre 2015 e 2016, destacando que a taxa real de juros, que naquela época chegou a 7,5%, hoje já está em 8,5% e caminha para 9%.

"Nós estamos cada vez mais endividados, pagando cada vez mais juros e indo para uma sinuca de bico", concluiu.

S&P 500 subiu quase 10% este ano, apesar de guerra e preocupações com IATarifaço: Vamos usar todos os meios para convencer EUA, diz AlckminWarsh diz que mudanças no balanço patrimonial do Fed serão comunicadas Déficit consolidado em nível pandêmico Os dados divulgados pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central apontam para uma piora significativa na gestão das contas públicas.

Segundo Mundim, o déficit consolidado atual já atingiu proporções comparáveis às do período pandêmico.

"Se o déficit consolidado é pandêmico, é porque as despesas também atingiram os níveis da pandemia", afirmou.

O país está a apenas cerca de R$ 190 bilhões do recorde histórico de despesas, registrado em novembro de 2020, que foi de R$ 2,8 trilhões.

A comentarista destacou que as despesas obrigatórias — que incluem Previdência, benefícios sociais e funcionalismo público — já representam mais de 90% do total de gastos do governo.

Com isso, praticamente não sobram recursos para despesas discricionárias, como investimentos em infraestrutura e na eficiência da máquina pública.

"Falta gasolina para a carga da Polícia Federal, falta investimento em tecnologia para o Banco Central, começa a faltar cafezinho nas universidades", exemplificou Mundim, ilustrando o impacto prático do aperto orçamentário.

O arcabouço fiscal estabelece que as despesas só podem crescer 2,5% acima da inflação e que o governo deveria entregar um superávit de 0,25% do PIB (Produto Interno Bruto) este ano. Pela flexibilidade do intervalo permitido, o déficit máximo tolerado seria de cerca de R$ 34,8 bilhões.

No entanto, as contas consolidadas já registram um déficit de quase R$ 150 bilhões em 12 meses. Além disso, Mundim apontou que mais de R$ 400 bilhões em despesas já foram excluídos da contabilidade do arcabouço, tornando a situação "muito mais séria" do que os números oficiais sugerem.