Para o analista, o governo entrou em campo com excesso de confiança após algumas vitórias recentes, o que teria comprometido sua capacidade de antecipar os movimentos do Congresso. "Me parece que o governo não enxergou muito bem o jogo, ou pelo menos os adversários que ia enfrentar", afirmou Favetti.
O analista traçou um panorama das derrotas recentes do governo, relacionando-as a um momento de euforia que teria se instalado após conquistas anteriores.
Líder do PT na Câmara diz que rejeição de Messias ao STF é "rosto do golpe"Flávio pede a senadores que "não baixem a guarda" após derrota do governoGovernistas não detectaram ações discretas e sem vazamentos contra Messias "Desde que Odair Cunha (PT-MG) conseguiu a façanha histórica de ser indicado ao TCU, é a primeira vez que um petista é indicado pela Câmara, e a liberação das emendas, me parece que ali o governo deu um respiro. Você tinha um quadro colocado de que o jogo estava muito bom para o governo", destacou Favetti.
Em seguida, porém, o Executivo sofreu revezes significativos. Favetti mencionou a derrota na questão da dosimetria, que, segundo ele, "já estava mais do que contratada", e o resultado da votação envolvendo Jorge Messias, indicado para o Supremo Tribunal Federal.
"A derrota do Messias era do jogo, mas o placar foi um balde de água fria no governo", disse o especialista, acrescentando que Zé Guimarães, novo ministro das Relações Institucionais, "sofreu uma derrota no principal jogo do seu campeonato".
Um dos pontos centrais apontado por Favetti foi a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de fracionar a votação da queda do veto presidencial. Segundo Favetti, esse procedimento abre espaço para que o governo recorra ao Judiciário.
"O fatiamento da queda do veto feito por uma decisão da mesa do Congresso, feita por Davi Alcolumbre, é também algo inédito", destacou o especialista.
O veto de Lula era total e envolvia duas matérias de natureza distinta: a Lei Antifacção, que endureceu regras sobre progressão de regime para presos, e a Lei da Dosimetria, que, segundo Favetti, "de certa forma, volta atrás". Essa dicotomia teria motivado Alcolumbre a selecionar apenas parte do veto para votação, gerando indignação na base de apoio do governo.
Favetti avaliou que Lula provavelmente não cumprirá o prazo de 48 horas para promulgar a lei, deixando essa responsabilidade ao Senado. "Se ele promulgar, retira, de certa forma, pelo menos no plano político, essa indignação da sua base de apoio com essa questão", explicou.
