O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro recebeu um green card do governo dos Estados Unidos, o que lhe garante o direito de residência permanente no país. A notícia, confirmada pela CNN Brasil e divulgada inicialmente pelo jornal Folha de São Paulo, surge em um contexto de relações diplomáticas conturbadas entre Brasil e EUA, especialmente após a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros por parte do governo americano.
Este desenvolvimento ocorre em um cenário jurídico particularmente sensível para Eduardo Bolsonaro. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. Anteriormente, seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, também foi condenado por tentativa de golpe de Estado. A posse do green card dificulta consideravelmente qualquer processo de extradição que pudesse levar Eduardo a cumprir pena no Brasil.
Especialistas analisam a concessão do visto com diferentes perspectivas. Segundo Vinicius Poit, o visto concedido seria do tipo EB1, destinado a indivíduos com habilidades extraordinárias, uma informação que teria partido de fontes próximas a Eduardo. Poit avalia que o episódio demonstra capacidade de articulação pessoal, mas descarta a ideia de uma influência direta de Eduardo nas políticas americanas ou uma intervenção em assuntos brasileiros. "Proteger a si próprio, com certeza, ele teve", afirmou.
Por outro lado, o comentarista José Eduardo Cardozo enxerga a concessão do green card como uma clara evidência da aliança ideológica entre Eduardo Bolsonaro e Donald Trump, a quem ele se refere como "chefe". Cardozo questiona as "habilidades extraordinárias" que justificariam o visto, citando a ausência de Eduardo em sessões parlamentares e a perda de seu mandato no Brasil. Ele também refuta a alegação de que o governo Lula teria criado a narrativa sobre influência dos Bolsonaro nas sanções americanas, citando uma carta de Trump que indicaria a retaliação como resposta a sanções contra Jair Bolsonaro. Cardozo critica a postura que considera subserviente da família Bolsonaro aos interesses americanos, mesmo quando estes prejudicam o Brasil.
Em meio a essas discussões, Vinicius Poit criticou a "incompetência diplomática" do governo Lula, caso a situação gere preocupação, argumentando que o governo atual falha em conduzir a diplomacia. Ele também mencionou que Flávio Bolsonaro teria viajado aos EUA para interceder contra as tarifas, levantando questionamentos sobre a coerência do discurso oficial brasileiro.
