As guardas municipais no Brasil experimentam um crescimento expressivo, consolidando-se como a segunda maior força de segurança do país. Um estudo divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que essas corporações já superam o número de policiais civis, ficando atrás apenas das polícias militares. Atualmente, o Brasil conta com 107,4 mil guardas municipais distribuídos por pelo menos 1.384 municípios, o que representa um aumento de 12,9% em relação ao levantamento anterior.

Em contrapartida, a Polícia Civil, que antes ocupava a segunda posição, agora figura como a terceira maior força, com 96,9 mil agentes. As polícias militares continuam liderando o contingente, somando um total de 413,3 mil policiais em todo o território nacional. O estudo "Raio-x das forças de segurança", elaborado em parceria com o instituto Betty e Jacob Lafer, analisou dados referentes ao exercício do ano passado e destaca essa reconfiguração no cenário da segurança pública.

A expansão das guardas municipais ocorre em um contexto de incerteza sobre o número total de agentes, já que cada prefeitura tem autonomia para criar sua própria estrutura, sem uma base de dados centralizada. O próprio número divulgado pelo Fórum é uma estimativa baseada em informações do IBGE, do Ministério do Trabalho e da Senasp. Essa ascensão é impulsionada, em parte, por uma decisão do STF que reconhece a competência dos órgãos municipais para o policiamento ostensivo, embora a investigação permaneça sob responsabilidade da Polícia Civil.

O crescimento acelerado das guardas municipais contrasta com o efetivo das polícias federais e civis, que apresentam estagnação ou até mesmo redução. O Fórum alerta que esse desequilíbrio pode comprometer o funcionamento das políticas de segurança e aprofundar a fragmentação institucional do setor. Questões fiscais, como o alto custo de aposentadorias de policiais militares, também contribuem para a preferência por modelos de segurança municipais, que podem ter seus poderes ampliados com propostas em tramitação no Congresso.