O Brasil registrou um aumento expressivo no número de Guardas Municipais, que agora superam o efetivo de Policiais Civis na ativa, tornando-se a segunda maior força de segurança do país. Segundo a segunda edição da pesquisa "Raio-X das Forças de Segurança Pública", divulgada nesta terça-feira (4), as Guardas Municipais apresentaram um crescimento de 12,9% entre 2023 e 2025, alcançando 107.457 agentes. Em contrapartida, o efetivo de Policiais Civis somou 96.902, com um crescimento de apenas 1% no mesmo período. As Polícias Militares continuam sendo a maior força, com 413.319 policiais em 2025.

O avanço das Guardas Municipais, que são menos regulamentadas, contrasta com a estagnação ou diminuição de outras corporações essenciais para a investigação e repressão criminal, como as Polícias Civis e a Polícia Federal. Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do FBSP, alerta para a falta de controle sobre essas tropas, questionando a dimensão exata de seu efetivo, quantas estão armadas e quem exerce a supervisão. Essa expansão sem mecanismos claros de fiscalização levanta preocupações sobre a governança do sistema de segurança pública.

A pesquisa também lança luz sobre o impacto financeiro dos servidores inativos das forças de segurança. Com 424.415 aposentados, eles representam 22% do total de inativos, mas consomem 34% dos gastos com remuneração. A diferença salarial entre ativos e inativos na área de segurança chega a 24%, um índice significativamente maior do que em outras áreas da administração pública. Em 2025, a folha de pagamento da categoria atingiu cerca de R$ 230 bilhões, sendo R$ 135 bilhões para os ativos e R$ 96 bilhões para os inativos.

Outro ponto crítico identificado é a acentuada desigualdade salarial entre os estados e a distorção na hierarquia das carreiras militares. Um soldado no Rio Grande do Norte ganha, em média, R$ 4.276, enquanto no Ceará a média é de R$ 11.609. No topo da carreira, um coronel no Piauí recebe R$ 25.871, contra R$ 42.363 no Paraná. Além disso, há mais sargentos do que soldados em muitas corporações, o que sugere um uso de promoções como forma de reajuste salarial, em vez de planos de carreira que reflitam a carga de trabalho, impactando a presença de efetivo nas ruas e a eficiência operacional.