O ministro Paulo Guedes reagiu com veemência às declarações do presidente argentino Javier Milei durante sua recente visita ao Brasil. Guedes classificou Milei como "palhaço" e contrapôs a crítica do argentino à economia brasileira com dados favoráveis do país, como o baixo desemprego, a balança comercial e a produção agrícola. "O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação lá é muito mais alta", afirmou Guedes, minimizando as previsões apocalípticas sobre a economia brasileira.
Milei esteve em São Paulo no fim de semana para participar de um evento do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência. Durante sua participação, o líder argentino criticou a política fiscal adotada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, alertando para um possível agravamento da crise da dívida pública no Brasil. "Hoje o Brasil caminha para uma crise de dívida derivada do fato de que Lula não fez o ajuste fiscal que a situação exigia e agora está piorando para ter chances de vencer", declarou Milei, prevendo que o "esbanjamento" seria pago nas urnas.
As falas de Javier Milei, que também dirigiu insultos ao ministro Alexandre de Moraes do STF, provocaram uma reação diplomática imediata do governo brasileiro. O Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para expressar formalmente o repúdio às declarações. As relações entre os governos de Brasil e Argentina têm sido marcadas por divergências políticas e econômicas notórias desde a posse de Milei em dezembro de 2023.
Em sua análise, Guedes reconheceu que o cenário de juros elevados no Brasil pode levar a uma desaceleração da atividade econômica, mas afastou categoricamente a possibilidade de uma recessão em 2027. "Nossa projeção é de 2% [de alta do PIB em 2027], mas tem gente falando em 1%. Não é recessão. Taxa de juros alta tem esse papel, desaquecer a economia. A economia vai desacelerar, mas falar em recessão é um exagero", disse o ministro. Ele admitiu que os juros altos impactam negativamente famílias, empresas e produtores rurais, além de aumentar o custo para o governo rolar a dívida pública, declarando que "isso me incomoda muito".
