O conflito armado no Oriente Médio, deflagrado por ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, tem gerado ondas de choque nos mercados globais de energia, com reflexos sentidos diretamente em Santa Catarina. O principal impacto até o momento tem sido o aumento expressivo nos preços dos combustíveis, especialmente o diesel. A cotação média do produto no estado saltou de R$ 6,11 para R$ 6,69 em apenas duas semanas, um acréscimo de quase 10%, segundo dados da ANP. Em alguns municípios, como Mafra e Itajaí, a elevação foi ainda mais acentuada, atingindo R$ 7,10 e R$ 6,94, respectivamente.

A escalada dos preços e a incerteza no fornecimento levaram prefeituras de cidades do Sul catarinense, como Araranguá e Lauro Müller, a implementar medidas de racionamento de diesel para as frotas de veículos municipais. Essa ação gerou preocupação sobre a disponibilidade do combustível em outras esferas.

Em resposta às preocupações, o governo do Estado de Santa Catarina esclareceu que a redução unilateral do ICMS sobre o diesel não é uma medida viável. Desde 2023, o imposto é cobrado de forma fixa nas refinarias e sua alteração demandaria consenso entre todos os estados no âmbito do Confaz. Além disso, o governo citou estudos que indicam que cortes tributários nem sempre se traduzem em preços mais baixos nas bombas, e que o estado busca manter sua sustentabilidade fiscal.

Por outro lado, representantes do setor de combustíveis em Santa Catarina descartam qualquer possibilidade de desabastecimento. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (SC Petro) afirma que as distribuidoras continuam atendendo os pedidos normalmente, embora com restrições para compras acima da média histórica, uma prática padrão para evitar especulações. A alta nos preços é admitida como consequência direta das tensões internacionais, agravada por mecanismos como a venda de combustível via leilão pela Petrobras, que resulta em ágio e encarecimento para os postos.