O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, emitiu duras críticas ao presidente da Argentina, Javier Milei, após sua recente visita ao Brasil. Haddad classificou Milei como "palhaço" e comparou os cenários econômicos dos dois países vizinhos. Segundo o ministro, os indicadores brasileiros, como dívida pública e inflação, são mais positivos do que os observados na Argentina.

"O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou do Brasil, quando o risco país da Argentina é muito mais alto. A dívida pública é muito mais alta. A inflação lá é muito mais alta. Não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar o apocalipse", declarou Haddad em entrevista ao Rádio Jornal, de Pernambuco. A fala do ministro contrapõe as críticas feitas por Milei, que atacou o ministro Alexandre de Moraes do STF e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante sua participação em um evento do PL em São Paulo.

A visita de Milei ao Brasil, que coincidiu com a oficialização da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência, foi marcada por discursos inflamados. O presidente argentino criticou a decisão judicial que o impediu de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em regime domiciliar, e chamou o ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca". Em resposta às declarações consideradas uma "afronta" pelo governo brasileiro, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas.

Contrariando a narrativa de crise econômica propagada por alguns setores, dados recentes do primeiro trimestre de 2024 indicam uma recuperação surpreendente na Argentina. O PIB argentino cresceu 2,3%, impulsionado pela safra agrícola, exportações e os setores de mineração e finanças, superando as expectativas. No mesmo período, o Brasil registrou uma expansão de 1,1% em seu PIB, segundo o IBGE. Em relação à inflação, o índice de preços ao consumidor argentino registrou alta de 1,9% em junho, acumulando 16,8% no semestre e 33,5% em doze meses, enquanto o IPCA brasileiro acumulou 3,36% no ano e 4,64% em doze meses até junho.