Na véspera de um confronto esportivo de destaque contra o Brasil na Copa do Mundo, o Haiti enfrenta uma realidade dura, longe dos gramados. O país caribenho atravessa uma crise humanitária severa, agravada por décadas de instabilidade política e econômica. A violência desenfreada de gangues, conforme relatado pelo Miami Herald, forçou o deslocamento interno de cerca de 1,5 milhão de pessoas. Uma recente visita do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, a campos de refugiados em Porto Príncipe expôs a gravidade da situação, com relatos de fome generalizada e falta de saneamento básico, afetando mais de 6,4 milhões de haitianos, metade da população, que necessitam de assistência humanitária urgente.
Em um esforço para combater essa crise e fomentar o desenvolvimento, o Haiti tem apostado em movimentos de inovação e empreendedorismo. O Haiti Tech Summit, fundado em 2017, tornou-se um polo de atração para empreendedores locais e figuras proeminentes do cenário tecnológico global, incluindo cofundadores do Twitter e investidores renomados do Vale do Silício. O evento, que este ano será realizado em Nova York, tem como objetivo principal conectar empreendedores haitianos a mercados internacionais, posicionando a inovação como um motor de progresso social e econômico.
A incubadora e aceleradora Banj, que significa "gênio" em crioulo haitiano, tem desempenhado um papel crucial desde 2018. Localizada em Delmas, na capital, a Banj já capacitou quase 3 mil pessoas em diversas áreas técnicas e gerenciou um fundo de inovação de aproximadamente US$ 500 mil para apoiar startups locais. Seu fundador, Marc Alain Boucicault, descreve a sede como um "lar do pragmatismo", com foco em construir uma economia baseada no conhecimento para enfrentar uma taxa de desemprego juvenil alarmante de 37%.
Apesar de ter sofrido prejuízos significativos em 2019 devido a um incêndio e saques durante protestos, a Banj manteve suas operações, apoiando projetos inovadores como a GIDEM, que utiliza realidade virtual para treinamentos de primeiros socorros, e a Dame-Marie Trans, focada no processamento de cacau. Essas iniciativas são vistas como estratégicas para reter talentos em um país onde, segundo o Banco Mundial, oito em cada dez haitianos com ensino superior optam por emigrar. Para os líderes do setor, o sucesso tecnológico transcende a métrica econômica, representando uma estratégia vital para a sobrevivência e o futuro da nação.
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