A taxa de mortalidade atribuível padronizada por idade caiu 52,9%, chegando a 85 mortes por 100 mil habitantes.
A hipertensão na Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, que incluiu aferição direta da pressão arterial, 32,3% dos adultos tinham hipertensão. Entre os analisadose que recebiam tratamento anti-hipertensivo, apenas 54,4% apresentavam pressão arterial controlada.
A condição ainda impõe uma carga econômica ao SUS. Em 2018, foi responsável por 59% dos R$ 3,45 bilhões em custos para o SUS atribuíveis a hipertensão, diabetes e obesidade.
O Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) de 2025 apontou que a hipertensão arterial aumentou de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024, atingindo quase um terço da população adulta.
Doenças na aorta podem matar sem aviso: quem deve se prevenirExcesso de peso supera hipertensão e lidera riscos à saúde no BrasilMoradores de SP têm infarto mais cedo do que em outros estados, diz estudo Pressão alta para a população que envelhece O Outubro Prata, também conhecido como Outubro Prateado, celebra a valorização, proteção e defesa dos direitos da pessoa idosa, além de promover a conscientização sobre o envelhecimento saudável.
Para uma sociedade cada vez mais envelhecida, a hipertensão passa a ser uma questão entre aqueles que fazem parte geração.
O cardiologista, doutor Vagner Ferreira, do hospital Mantevida, explica que com o envelhecimento, as artérias perdem parte da elasticidade e ficam mais rígidas. Isso favorece o aumento da pressão arterial, especialmente da pressão sistólica, a chamada pressão máxima.
"O grande problema é que a hipertensão geralmente não provoca sintomas. O organismo pode conviver com níveis elevados de pressão durante anos, enquanto os vasos sanguíneos e órgãos como o coração, o cérebro e os rins sofrem danos progressivos. Quando a pressão permanece elevada, ela favorece alterações nas paredes das artérias, aumenta a sobrecarga do coração e contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares", ressalta o especialista.
O principal passo, segundo o médico cardiologista, é a prevenção, visto que muitos só identificam a condição quando enfrentam um AVC (Acidente Vascular Cerebral).
"Um infarto ou AVC pode ser a primeira manifestação percebida pelo paciente, embora o processo de adoecimento tenha começado muito antes. Não devemos esperar sintomas para medir a pressão. A prevenção depende justamente de identificar o problema antes que ele provoque consequências graves", indica.
Segundo o doutor Vagner Ferreira, a principal barreira para um diagnóstico precoce é o quão silenciosa a doença pode ser.
"A principal barreira é a própria natureza silenciosa da doença. Muitas pessoas acreditam que, se não sentem nada, a pressão está normal. Outras só procuram atendimento quando apresentam algum sintoma ou quando precisam tratar outro problema de saúde", destaca.
O médico analisa que, quanto a população idosa, outras barreiras podem entrar no contexto.
"Na população idosa, também existem dificuldades relacionadas ao acesso aos serviços de saúde, à realização de consultas regulares e, em alguns casos, à mobilidade", aponta.
A frequência para analisar a pressão dos idosos depende de fatores clínicos e se o paciente já apresenta algum histórico.
"A periodicidade depende dos níveis de pressão, dos fatores de risco, do histórico clínico e da existência ou não de hipertensão já diagnosticada. Para quem tem pressão normal e não apresenta fatores de risco importantes, a aferição periódica nas consultas e nos exames de rotina pode ser suficiente, conforme a orientação médica. Já para quem apresenta préhipertensão, valores elevados ou está em tratamento, pode ser necessário medir a pressão com maior frequência, inclusive em casa", afirma.
O médico explica que o mais importante não é medir a pressão o tempo todo, mas medir corretamente, na frequência adequada e utilizar os resultados para orientar o cuidado.
A fase da pré-hipertensão ainda atende a possibilidade de prevenção.
"Não precisamos esperar a pressão chegar a níveis mais elevados para começar a cuidar da saúde cardiovascular. É fundamental reduzir o consumo de sal, especialmente aquele presente em alimentos ultraprocessados, embutidos, temperos prontos e refeições industrializadas. Também devemos priorizar frutas, verduras, legumes, feijão e outros alimentos naturais, além de controlar o peso e praticar atividade física regularmente, respeitando as condições de saúde de cada pessoa", disse o médico.
Outros hábitos como o tabagismo e alcoolismo também influenciam neste momento e o controle das atividades pode reverter a situação.
"Outro ponto importante é evitar o tabagismo, moderar o consumo de bebidas alcoólicas e manter uma boa qualidade do sono. O acompanhamento médico também permite identificar outros fatores que aumentam o risco cardiovascular, como diabetes, colesterol elevado e alterações da função renal", afirma.
Para as pessoas que estão entrando na terceira idade as regras passam a ser mais individualizadas, visando atender cada paciente com específicas demandas.
"Para quem está acima dos 60 anos, essas mudanças devem ser individualizadas, considerando a capacidade física, o equilíbrio, a presença de outras doenças e os medicamentos utilizados. A pré-hipertensão é um sinal de alerta, não uma sentença", aponta.
A pressão arterial considerada de risco no Brasil mudou de patamar. Ela passou a enquadrar como pré-hipertensão valores entre 12 por 8 e 13,9 por 8,9.
O médico Vagner Ferreira destaca que a principal motivação desta nova regra é identificar mais precocemente as pessoas que apresentam maior risco de desenvolver hipertensão e complicações cardiovasculares.
"Na prática, ter uma pressão de 12 por 8 não significa que a pessoa esteja doente ou precise começar a tomar medicamentos. Significa que ela deve ter mais atenção aos hábitos de vida e acompanhar sua pressão, fatores de risco, como diabetes, obesidade, colesterol elevado ou histórico familiar de doença cardiovascular. A ideia é agir antes que a hipertensão se estabeleça, aproveitando a oportunidade para prevenir complicações futuras", afirma.



