O renomado historiador Niall Ferguson, em entrevista recente, expressou preocupação com a posição estratégica do Brasil no cenário geopolítico global. Segundo ele, o país está "condenado a ficar no meio" do acirramento da disputa entre as potências Estados Unidos e China, sem conseguir se posicionar de forma vantajosa.

Ferguson criticou a ausência de uma estratégia nacional coesa para o desenvolvimento e a aplicação da inteligência artificial, área que considera crucial para o futuro econômico e tecnológico. Ele argumenta que o Brasil não está aproveitando seu potencial para se destacar nesse setor, fundamental para a soberania e competitividade no século XXI.

O historiador ressaltou que o Brasil detém vantagens competitivas importantes que poderiam ser exploradas. Entre elas, destacam-se o vasto potencial em energias renováveis, a capacidade de abrigar grandes data centers devido à sua extensão territorial e infraestrutura, e a abundância de minerais críticos essenciais para a produção de alta tecnologia.

No entanto, Ferguson lamentou que essas vantagens estejam sendo subutilizadas. A falta de visão de longo prazo e de políticas públicas eficazes impede que o país capitalize sobre seus recursos naturais e geográficos, correndo o risco de se tornar um mero espectador nas grandes transformações tecnológicas e geopolíticas mundiais, em vez de um protagonista.