A mais recente edição do ranking de competitividade do IMD, referência mundial em ambiente de negócios e atração de investimentos, aponta para uma mudança significativa no cenário global. Pela primeira vez em anos, a lista de 2026 destaca a inteligência artificial (IA) como um fator central na competitividade do século XXI, com países que se posicionam na nova economia digital ganhando proeminência. Singapura assumiu a liderança, seguida de perto por Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos, um grupo que demonstra a força das economias asiáticas e do Oriente Médio na vanguarda tecnológica.
A ascensão desses países contrasta com a dominância europeia observada no ranking de cinco anos atrás. Agora, a presença asiática é marcante, com três das quatro primeiras posições ocupadas por economias da região. Se incluirmos os Emirados Árabes Unidos, que têm investido pesadamente em tecnologia e IA, quatro dos cinco primeiros colocados estão no eixo Ásia-Oriente Médio. Essa reconfiguração reflete a importância estratégica crescente de semicondutores, data centers e infraestrutura digital, onde Taiwan, Singapura, Hong Kong e os Emirados têm se destacado.
O Brasil, posicionado em 65º lugar entre 70 economias, possui ativos cruciais para a nova economia digital, como uma matriz elétrica limpa, abundância de água – essencial para data centers – e reservas de minerais críticos. Essas características o colocam em uma posição potencialmente vantajosa para atrair investimentos em IA e infraestrutura digital. No entanto, o ranking também evidencia que recursos naturais, por si só, não garantem competitividade.
Desafios estruturais históricos, como baixa produtividade, insegurança regulatória, complexidade tributária, gargalos logísticos e deficiências educacionais, continuam a impedir que o Brasil converta suas vantagens naturais em ganhos concretos. Especialistas apontam que a revolução da IA representa uma oportunidade única, similar à inserção de países nas cadeias globais de tecnologia no passado. A diferença é que, desta vez, a energia, a infraestrutura física e os recursos naturais ganham um peso ainda maior, áreas onde o Brasil detém vantagens competitivas. A questão central é se o país conseguirá transformar essa matéria-prima em protagonismo na economia da inteligência artificial antes que outras nações ocupem esse espaço estratégico.
