Representantes de diversos setores da indústria brasileira, incluindo máquinas e equipamentos, eletroeletrônicos, plástico, calçados, pneus e têxtil, estiveram reunidos com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, para discutir as consequências do recente aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos. A Casa Branca anunciou um tarifaço de 25% sobre uma vasta gama de produtos industriais brasileiros, afetando aproximadamente 18% das exportações para os EUA, o que representa cerca de US$ 7,4 bilhões (R$ 38 bilhões).

Durante o encontro, as associações apresentaram suas demandas, com foco principal na necessidade de maior acesso a crédito e na flexibilização das condições do programa Brasil Soberano. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) sugeriu a redução das taxas de juros, a ampliação dos segmentos elegíveis para o programa e a isenção do IOF em operações de crédito, além da dispensa da exigência de garantia de manutenção de empregos. O programa Brasil Soberano, criado após medidas tarifárias anteriores dos EUA, visa oferecer financiamentos em condições favoráveis para empresas exportadoras e seus fornecedores.

Uma forte posição defendida pelas entidades presentes foi a rejeição à aplicação da Lei de Reciprocidade. Representantes como José Velloso, da Abimaq, e Rodrigo Navarro, da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), argumentaram que a preferência deve ser pela via negocial. A Lei da Reciprocidade permite ao Brasil adotar contramedidas comerciais e diplomáticas, mas os setores temem que sua aplicação possa escalar conflitos e prejudicar ainda mais o comércio bilateral, defendendo consultas diplomáticas e negociações antes de qualquer medida retaliatória.

Além das questões de crédito e reciprocidade, setores como o de pneus solicitaram atenção especial ao mercado interno, com a inclusão de compras de pneus nas linhas de crédito para veículos de aplicativo e caminhões. Houve também pedidos por barreiras comerciais contra a importação de pneus chineses e investigações sobre práticas comerciais. A indústria têxtil, por sua vez, defendeu o reforço do programa Reintegra, que devolve parte dos impostos pagos por exportadores em insumos, como uma forma de mitigar os efeitos das tarifas americanas e fortalecer a competitividade no mercado interno, que tem sofrido com o aumento de produtos importados.