O mercado imobiliário brasileiro tem atraído um número crescente de compradores estrangeiros, que veem no país não apenas um destino para férias, mas uma oportunidade de investimento promissora. Esse interesse se intensificou após a pandemia, com um fluxo notável de visitantes e profissionais em regime de home office, incluindo os chamados nômades digitais, buscando propriedades em cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis. A facilidade de aquisição e a perspectiva de valorização, aliadas a fatores cambiais vantajosos, tornam o Brasil um destino atrativo, especialmente quando comparado a mercados mais saturados.
Especialistas apontam que a demanda estrangeira é concentrada em unidades compactas, como estúdios e apartamentos recém-lançados, com destaque para regiões nobres como Ipanema e Leblon no Rio de Janeiro, onde uma parcela significativa dessas unidades é adquirida por compradores internacionais. Em Santa Catarina, levantamentos indicam uma forte presença de argentinos interessados em apartamentos na planta, buscando principalmente empreendimentos para investimento e uso em períodos de férias. Nacionalidades como americanos, europeus e até cidadãos dos Emirados Árabes Unidos também figuram entre os principais compradores, impulsionados pela possibilidade de obter autorização de residência mediante a compra de imóveis de valor considerável.
Plataformas digitais e empresas especializadas têm facilitado o processo de compra e gestão de propriedades para investidores estrangeiros, permitindo a obtenção de renda à distância. A Lobie, por exemplo, viu sua carteira de clientes estrangeiros crescer exponencialmente em poucos anos. A atratividade desses imóveis reside na possibilidade de uso próprio durante férias e eventos, além da geração de receita com aluguéis quando desocupados, cobrindo custos de manutenção e gerando lucro. A facilidade de obtenção de residência no Brasil, amparada por resoluções do Conselho Nacional de Imigração, é outro fator que contribui para a atração de estrangeiros, incluindo um fluxo recente de russos buscando um passaporte brasileiro.
No entanto, o aumento da demanda estrangeira tem gerado efeitos colaterais, como a pressão sobre os preços dos aluguéis de longo prazo para residentes locais. Em cidades como Florianópolis, já se observa uma alta expressiva nos custos de locação, o que tem levantado debates sobre a necessidade de regulamentação. Uma decisão recente do Superior Tribunal de Justiça, que exige autorização em assembleia condominial para locações de curta temporada, busca mitigar alguns desses impactos, mas a preocupação com a acessibilidade à moradia para a população local persiste. Empresas multinacionais, como a Blueground, têm expandido sua atuação no mercado brasileiro, adquirindo empresas locais e focando em aluguéis de curta temporada para turistas e estrangeiros.
