O Brasil atraiu um volume robusto de investimentos diretos estrangeiros (IDE) no primeiro semestre do ano, alcançando a marca de US$ 46,9 bilhões. Este valor representa um incremento de 33% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o país recebeu US$ 35,3 bilhões em capital externo. Os dados, divulgados pelo Banco Central, indicam uma recuperação significativa na confiança dos investidores internacionais na economia brasileira.

Com este desempenho, o fluxo acumulado de IDE nos últimos 12 meses se aproxima de um recorde nominal, totalizando US$ 89,3 bilhões. Essa cifra corresponde a 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB), a maior proporção registrada desde novembro do ano passado. A entrada expressiva de capital estrangeiro na economia real tem um impacto direto na saúde das transações externas do país, que enfrentaram dificuldades em anos anteriores.

Historicamente, o Brasil busca equilibrar seus fluxos externos, onde o ideal é que os investimentos diretos sejam suficientes para cobrir os déficits em outras contas, como serviços e rendas. Em 2025, o país chegou a registrar déficits externos acumulados de US$ 75 bilhões em 12 meses, em um cenário de menor entrada de IDE. Essa situação indicava que o capital que saía do país superava o que entrava, afetando a solvência externa.

Apesar de a balança de serviços ter apresentado um déficit de US$ 27 bilhões e a balança de rendas ter retirado US$ 40,2 bilhões do país, o saldo positivo de US$ 37 bilhões na balança comercial, impulsionado pelas exportações recordes, ajudou a mitigar o resultado geral. O saldo das transações correntes, que considera mercadorias, serviços e rendas, fechou o primeiro semestre de 2026 em um déficit de US$ 27 bilhões, mas a melhora nos investimentos diretos estrangeiros sinaliza um cenário mais promissor para as contas externas.