O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, tomou a decisão de negar o visto a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Riley M. Barnes e Samuel Samson. A viagem dos diplomatas americanos estava prevista para ocorrer nos próximos dias, com o objetivo declarado de lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro. A informação foi revelada pelo jornal The Washington Post, com base em declarações de quatro funcionários americanos e brasileiros.
Fontes do corpo diplomático brasileiro indicaram que a negativa do visto foi motivada pela percepção de uma possível conexão entre os ataques às urnas eletrônicas, promovidos pelo pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), e a administração do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os pedidos de visto foram formalizados no dia 20 de julho, um dia antes de Flávio Bolsonaro divulgar informações consideradas falsas sobre as urnas. A resposta do Itamaraty veio na sexta-feira, dia 24.
A intenção dos representantes do governo americano era chegar ao país semanas antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Essa movimentação gerou alerta no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e no próprio Itamaraty, que temiam a instrumentalização da visita para fins políticos. A avaliação interna é que a repetição de informações falsas, como a citação da CIA sobre a origem das urnas, por Flávio Bolsonaro poderia ser uma preparação para contestar o resultado eleitoral em caso de derrota, abrindo caminho para tentativas de intervenção.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou ter sido procurado pela embaixada dos Estados Unidos para discutir a visita de Barnes e Samson, mas o conteúdo específico da reunião não foi informado. O TSE esclareceu que a agenda não pôde ser marcada devido ao recesso do Judiciário. Anteriormente, em junho, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, já havia se reunido com embaixadores para explicar o funcionamento do sistema de votação eletrônica brasileiro e defender as urnas. A diplomacia dos EUA foi convidada para um novo encontro em agosto.
