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7.out.2026 à 0h01 Atualizado: 7.out.2026 às 16h15 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte Juliana Arreguy São Paulo Menos de 48 horas após Lula (PT) terminar o primeiro turno das eleições atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o deputado federal André Janones (Rede-MG) se incumbiu de ampliar a tropa digital do presidente e corre para aproximar o petista do eleitor nas redes sociais a tempo de virar votos.

O deputado, reeleito no domingo (4), disse à Folha que tomou a iniciativa por conta própria. "Não vou mais ficar esperando a campanha, temos três semanas para virar a eleição. Todos me ouvem, nada acontece", afirmou Janones.

O grupo servia mais para trocas de ideias, mas passou a concentrar missões para os integrantes. A cada hora, Janones divulga áudios orientando que novos membros convidem mais três pessoas. Até a tarde desta quarta-feira (7), o canal já ultrapassava 1,9 milhão de membros.

"Tomou uma proporção maior do que eu imaginava", disse ele, que pretende dedicar o resto da semana a ampliar o grupo. O objetivo, agora, é alcançar 3 milhões de seguidores.

A ideia é organizar a militância de forma que as postagens sobre Lula e a campanha sejam feitas de forma coesa, mesmo que em ambientes digitais diferentes. Janones busca uma capilaridade semelhante à de produtores de conteúdo de direita, que conseguem fazer postagens coordenadas nas redes.

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"Comunicação unificada é algo que não tivemos nesses quatro anos de governo. É para o país inteiro falar só sobre esse assunto", afirmou.

Janones tem 3,2 milhões de seguidores no Instagram, 1,1 milhão no X e 1,5 milhão no TikTok. É visto como um estrategista de redes no campo da esquerda e, em 2022, tomou a frente da estratégia digital da campanha de Lula.

Em agosto, ele escreveu no X que Flávio iria ultrapassar Lula nas pesquisas. Um mês depois, voltou a alertar que o bolsonarismo iria desidratar as outras candidaturas e atrair os votos úteis dos eleitores.

À reportagem ele disse que foi xingado por colegas de militância pelas previsões, mas que, pelo que acompanhava das redes, a dianteira de Flávio era certa.

"A maneira como o presidente se comunica nas redes sociais é ultrapassada, analógica. Não é só distribuir conteúdo, é falar a linguagem das redes."

Para ele, a comunicação falha nas redes sociais pode custar a Lula a reeleição. Por isso, defende que gravações simples, feitas com "um celular velho", mostrem trechos do cotidiano de Lula, com o presidente visitando as casas de beneficiários de seus programas sociais e cumprindo tarefas com as quais o eleitor possa se identificar, como tomando um café ao fim da tarde ou se arrumando para reuniões.

"Precisa de uma mudança drástica, mostrar o Lula humano, parar de chegar de helicóptero na Vila Euclides [estádio em São Bernardo onde o presidente iniciou a campanha] e passar a ser o Lula nordestino, sentar na calçada junto com a pessoa e dialogar com ela. Mas não precisa de produção cinematográfica", afirmou Janones.

Com mais de 1 milhão de seguidores à sua disposição no canal, Janones apresenta em suas mensagens uma tônica de urgência. Diante do aumento de seguidores, estuda formar um conselho com colegas "bons de redes sociais" para pensar em como gerir o canal.

Ele disse que ainda não os procurou, mas citou nomes como Ana Elisa Santos Silva (eleita deputada federal pelo PT-MG), Pedro Campos (deputado federal reeleito pelo PSB-PE), João Campos (do PSB, ex-prefeito do Recife e candidato derrotado ao Governo de PE), Gleisi Hoffmann (do PT, derrotada ao Senado no PR), Lindbergh Farias (deputado federal reeleito pelo PT-RJ), Renato Freitas (eleito deputado federal pelo PT-PR), Guilherme Cortez (eleito deputado federal pelo PSOL-SP) e Luna Zarattini (eleita deputada federal pelo PT-SP).

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