O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado um termômetro fundamental para o Produto Interno Bruto (PIB), apresentou um crescimento de apenas 0,07% em maio, já descontado o ajuste sazonal. Embora o indicador tenha se mantido em patamar recorde, a desaceleração em relação ao avanço de 0,5% registrado no mês anterior reforça a percepção de que a economia brasileira começa a perder força.

Este desempenho modesto sugere que a política monetária restritiva, com as taxas de juros em patamares elevados, finalmente começa a surtir o efeito esperado pelo Banco Central. Após meses de uma economia surpreendentemente resiliente, os juros passam a ser um fator mais perceptível na atividade econômica, ainda que de maneira gradual. O setor de serviços, que representa a maior parcela do PIB e é mais sensível ao consumo e ao crédito, cresceu apenas 0,1% em maio, demonstrando a influência direta da política monetária sobre a demanda de famílias e empresas.

Em contraste com o impacto mais amplo dos juros, as tarifas impostas pelos Estados Unidos afetam de forma mais localizada a economia. Setores como siderurgia e madeira, mais expostos ao mercado americano, podem enfrentar perda de competitividade, redução de margens de lucro, revisão de investimentos e, em alguns casos, cortes na produção e no emprego. Contudo, esse "tarifaço" é visto como um choque concentrado em cadeias produtivas específicas, diferentemente da abrangência generalizada dos juros altos.

Os juros elevados impactam praticamente todos os setores, ao encarecer o crédito para consumidores e empresas, reduzir o consumo, desestimular investimentos, pressionar o mercado imobiliário e aumentar o custo de financiamento para o próprio governo. O IBC-Br de maio pode ser interpretado como um dos primeiros indícios de que esse freio na economia já começou a se manifestar nos indicadores. No entanto, a transmissão completa dos efeitos da política monetária para a economia geralmente ocorre com defasagem de vários meses, e parte desse impacto tem sido amortecida por estímulos fiscais governamentais. À medida que o efeito dos juros se espalhar, espera-se uma perda de ritmo mais evidente na atividade econômica.