O jornalista Luan Araújo teve a prisão determinada pela Justiça após não cumprir com o pagamento de uma multa judicial. A sanção deriva de uma publicação em que o jornalista teceu duras críticas à ex-deputada federal Carla Zambelli, associando-a a uma "extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte". A decisão judicial converte a pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade, uma vez que o condenado, devidamente intimado, não efetuou o pagamento da prestação pecuniária imposta.

O caso judicial em questão se refere a um texto escrito por Araújo após um incidente ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli foi acusada de ameaçar o jornalista com uma arma. Apesar da gravidade da acusação relacionada à perseguição, a condenação que motivou a ordem de prisão não tem relação direta com o episódio da ameaça em si, mas sim com o conteúdo publicado posteriormente pelo jornalista. Na publicação, Araújo descreveu a ex-parlamentar como líder de uma "seita de doentes de extrema direita que a segue incondicionalmente e segue cometendo atrocidades".

A defesa de Luan Araújo protocolou um pedido de habeas corpus, argumentando que o jornalista se encontra em situação de comprovada hipossuficiência econômica. Segundo o advogado José Luiz de Oliveira Junior, a prisão por falta de pagamento da multa configuraria uma prisão por dívida, o que é expressamente vedado pelo ordenamento jurídico brasileiro. A publicação original, que gerou a condenação, já foi removida por determinação judicial.

Vale lembrar que, em 2025, Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e três meses de reclusão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. A decisão do STF foi fundamentada em depoimentos da vítima e de testemunhas, além de evidências em vídeo do incidente. A condenação de Zambelli no STF, contudo, não tem ligação direta com o processo que agora leva à prisão de Luan Araújo.