Nos mercados emergentes, porém, a realidade ainda está distante desse cenário. De acordo com o relatório Global Trends in Women’s Corporate Leadership 2026, da ISS-Corporate, países como Taiwan, Índia, China e Coreia do Sul registram participação feminina inferior a 20% nos conselhos de administração.

O Brasil aparece entre os países com menor representatividade feminina. No levantamento, o país ocupa a penúltima posição entre 28 mercados analisados, com média de apenas 1,4 mulher por conselho de administração, evidenciando os desafios para ampliar a presença feminina nos principais espaços de decisão das empresas.

Para Liu Berman, presidente do Instituto Reinventando Futuros e uma das fundadoras do Instituto Elas na Economia Circular, a baixa representatividade também impacta a competitividade das empresas. “Os dados mostram o atraso do mercado brasileiro e o quanto as empresas perdem em competitividade internacional ao ignorar esse potencial. A liderança feminina traz uma dinâmica essencial para a eficiência dos negócios e para a abertura de novas frentes financeiras”, afirma.

À frente do Instituto Reinventando Futuros, Liu lidera uma estrutura composta exclusivamente por mulheres. A organização reúne lideranças como Fabíola Vasconcelos, vice-presidente e curadora de impacto; Priscilla Arantes, diretora de Projetos e Comunicação; e Milena Negrão, diretora de Programas de Educação.

Para Liu, ampliar a presença feminina nos espaços de decisão exige mais do que políticas corporativas. “Há uma geração de profissionais qualificadas, empreendedoras e líderes que ainda encontra barreiras para chegar aos centros de decisão. A transformação desse cenário depende da mudança cultural, mas também de iniciativas capazes de fortalecer redes, criar oportunidades e ampliar a geração de renda”, afirma.

Os projetos coordenados pela executiva já reuniram mais de 600 especialistas, autoridades e representantes de organizações nacionais e internacionais para discutir temas ligados à economia circular, desenvolvimento sustentável e inovação social.

Na avaliação da empresária, investir em lideranças femininas deixou de ser apenas uma pauta de diversidade e passou a representar uma estratégia de desenvolvimento econômico. “Os resultados que alcançamos mostram que investir na liderança feminina não é apenas uma questão de equidade, mas de desenvolvimento econômico. Estamos ocupando espaços de decisão, fortalecendo comunidades e criando soluções inovadoras para desafios do presente e do futuro”, conclui.