Aos 80 anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se depara com um cenário político complexo, onde sua longa trajetória e a longevidade no poder geram o que especialistas chamam de "fadiga de material". Essa expressão, comum no marketing político, descreve o esgotamento da força de uma figura pública após décadas de atuação. Lula, que se tornou o primeiro octogenário na Presidência do Brasil em 2025, está no panorama político nacional desde os anos 1980, tendo participado de sete das nove eleições presidenciais desde a redemocratização.
Para tentar mitigar o desgaste inerente à sua idade e à extensão de seu tempo na vida pública, a comunicação do governo tem investido em mostrar a disposição do presidente. Agendas oficiais com "corridinha" e vídeos de exercícios físicos, como o divulgado pela primeira-dama Janja, buscam afastar críticas e transmitir vitalidade. No entanto, a "fadiga de material" não se resume apenas à idade. Crises acumuladas pelo PT, como o mensalão e a Lava Jato, somadas a um trabalho "muito bem estruturado da oposição", são apontadas como fatores de desgaste.
Consultores de comunicação eleitoral apontam que a esquerda tem enfrentado dificuldades em ampliar sua comunicação digital, mesmo com pautas de forte apelo social, como a defesa da soberania nacional e a isenção do Imposto de Renda para rendas mais baixas. Lucas Pimenta, consultor de comunicação eleitoral, argumenta que Lula "não se comunica com um novo trabalhador brasileiro" e que suas medidas populistas não se refletem nos índices de aprovação por estarem desconectadas dos "novos anseios da população". A pesquisa Datafolha corrobora essa análise, mostrando uma avaliação negativa do governo por 38% dos entrevistados, contra 32% de avaliação positiva, e destacando que o senador Flávio Bolsonaro é visto como mais moderno.
Além das questões de comunicação e percepção pública, a imagem de Lula também é afetada por gafes que denotam, segundo analistas, uma "certa inadequação com os novos tempos", especialmente ao se dirigir ao público feminino, a maior parcela do eleitorado. A "guerra ideológica" travada com o bolsonarismo, que substituiu a imagem de "pai dos pobres" de seus primeiros mandatos pela de "herói", pode também cansar o eleitorado. Em outubro, Lula enfrentará um adversário com quase metade de sua idade, em uma eleição que, segundo cientistas políticos, tende a polarizar "lulistas contra não lulistas", mais do que focar em características individuais dos candidatos.
