O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem direcionado críticas frequentes ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde o início de seu mandato. Um levantamento aponta que Lula mencionou Trump em pelo menos 67 ocasiões, sendo que 35 dessas citações (ou 52%) possuíram um viés negativo. As declarações críticas abrangem diversas áreas, incluindo política externa e econômica, e refletem um distanciamento entre os líderes após um período inicial de aproximação.

Entre as críticas mais recentes, Lula classificou como "pirataria" a intenção de Trump de taxar a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz. Ele também comentou que Trump poderia ter "inveja" da China devido à exploração de minerais críticos, defendendo a capacidade do Brasil em áreas similares. Essas declarações surgem em um contexto de tensões, como a nova taxação de 25% sobre produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos, que gerou críticas do secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao Brasil.

A relação entre os dois presidentes teve um início marcado por cordialidade. A primeira interação ocorreu em setembro do ano passado, durante a Assembleia Geral da ONU, onde Trump mencionou uma "química excelente" com Lula. Após esse encontro, o petista adotou um tom amistoso em discursos e chegou a pedir, em conversas posteriores, a retirada de taxas e sanções americanas sobre produtos e autoridades brasileiras.

No entanto, a partir de junho, o tom de Lula em relação aos EUA tornou-se menos simpático, com críticas a conflitos no Oriente Médio e à atuação americana. Ele também expressou preocupação com a possibilidade de interferência de Trump nas eleições brasileiras. Em contrapartida, Trump também apresentou declarações antagônicas sobre Lula, passando de "líder dinâmico" a "muito volátil" em curto espaço de tempo, evidenciando a complexidade e as oscilações na relação entre os dois chefes de Estado.