Em um diálogo significativo que durou mais de uma hora, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês Xi Jinping chegaram a um consenso sobre a necessidade de acelerar as negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a China. A conversa, iniciada a pedido do lado brasileiro, sinaliza um avanço nas relações bilaterais e uma busca por maior integração econômica entre os blocos.
O encontro virtual ocorreu em um momento de tensões comerciais, quatro dias após a imposição de novas tarifas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Embora o conteúdo exato da discussão sobre as tarifas não tenha sido explicitamente detalhado nas divulgações oficiais, Xi Jinping manifestou apoio ao Brasil na defesa de sua soberania e na oposição à interferência externa, ecoando declarações anteriores da chancelaria chinesa contra guerras tarifárias.
Além do acordo comercial, os líderes discutiram o fortalecimento do grupo BRICS, com Xi Jinping enfatizando a importância da cooperação entre os membros para impulsionar o Sul Global. Ambos reiteraram o propósito de ampliar a colaboração em áreas estratégicas e de alta tecnologia, incluindo inteligência artificial, satélites, minerais críticos e comércio de fertilizantes. Lula destacou o compromisso de seu governo com a diversificação de mercados, um ponto relevante diante do atual cenário de impasse com Washington.
A pauta também incluiu discussões sobre a proliferação de conflitos globais e seus impactos na segurança alimentar e energética. Lula e Xi expressaram preocupação com a situação humanitária em Gaza e concordaram sobre os efeitos negativos das restrições à livre navegação em estreitos cruciais. Quanto à Ucrânia, apontaram a iniciativa "Grupo de Amigos da Paz", lançada por Brasil e China, como um caminho potencial para a retomada das negociações, criticando a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU em responder às crises atuais.
