"Foi um balde de água fria em Lula. Ele está indignado, pois está achando que o caso do Banco Master vai acabar sendo abafado", afirmou Bergamasco durante o CNN 360º desta quinta-feira (8).
Bergamasco lembrou que, no início da campanha, quando era pressionado a criticar o STF, Lula resistia, argumentando que não poderia atacar o Supremo sem abalar a institucionalidade.
Moraes determina início da pena de Eduardo e manda cancelar passaportesNunes Marques aumenta equipe que fiscaliza propaganda eleitoral no TSEFachin dá 5 dias para PGR avaliar arquivamento de inquérito sobre Bolsonaro
"Demorou para ele largar a mão de Alexandre de Moraes. Aos poucos, e com muito custo, adotou o discurso de que quem fez errado tem que ser investigado e tem que pagar, mas esse foi o máximo", afirmou a âncora.
De acordo com a apuração, o desempenho da direita e do centro nas eleições de 2026 alterou o equilíbrio de forças e enfraqueceu a pressão do governo sobre a Corte. "Os adversários estão recebendo gestos públicos de bandeira branca via ministros do Supremo", destacou Bergamasco.
Diante do novo cenário, a estratégia de Lula seria, em primeiro lugar, evitar ao máximo assuntos relacionados ao STF e concentrar o discurso na tentativa de desconstruir Flávio Bolsonaro (PL).
"Se for inevitável falar sobre o Supremo, não vai ter como passar a pedir impeachment de ministros. Lula vai ter que insistir, no máximo, em reforma do Judiciário, como já vem fazendo", afirmou a âncora.
O debate sobre mudanças no Judiciário também envolve dois órgãos menos conhecidos do grande público, mas de grande relevância: o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
"São os dois órgãos que regulamentam todo o trabalho do Judiciário e do Ministério Público, que fiscalizam a atividade da magistratura e dos promotores. São esses dois colegiados que têm o poder para demitir membros da carreira em casos de conduta ilegal", explicou o analista de política Matheus Teixeira.
Flávio Bolsonaro, em seu plano de governo, propõe ampliar a participação da sociedade civil nesses órgãos e limitar suas competências, sob o argumento de que eles acabam legislando ao regulamentar atividades de magistrados e promotores.
Lula, por sua vez, tem lembrado que foi durante seu governo, em 2004, que esses dois conselhos foram criados como parte de uma reforma do Judiciário, justamente para limitar o poder de juízes e promotores.
No entanto, o presidente avalia que, com o tempo, os colegiados foram "capturados pelo corporativismo", sinalizando que também defende mudanças sérias nessas instâncias.
Os dois candidatos que disputam o segundo turno, portanto, convergem na necessidade de reformar o CNJ e o CNMP, embora com propostas distintas.


/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/4/7/E0x2uDTAetbYAqytWgIw/montagem-horizontal-1200px-7-.jpg)