"Foi um balde de água fria em Lula. Ele está indignado, pois está achando que o caso do Banco Master vai acabar sendo abafado", afirmou Bergamasco durante o CNN 360º desta quinta-feira (8).

Bergamasco lembrou que, no início da campanha, quando era pressionado a criticar o STF, Lula resistia, argumentando que não poderia atacar o Supremo sem abalar a institucionalidade.

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"Demorou para ele largar a mão de Alexandre de Moraes. Aos poucos, e com muito custo, adotou o discurso de que quem fez errado tem que ser investigado e tem que pagar, mas esse foi o máximo", afirmou a âncora.

De acordo com a apuração, o desempenho da direita e do centro nas eleições de 2026 alterou o equilíbrio de forças e enfraqueceu a pressão do governo sobre a Corte. "Os adversários estão recebendo gestos públicos de bandeira branca via ministros do Supremo", destacou Bergamasco.

Diante do novo cenário, a estratégia de Lula seria, em primeiro lugar, evitar ao máximo assuntos relacionados ao STF e concentrar o discurso na tentativa de desconstruir Flávio Bolsonaro (PL).

"Se for inevitável falar sobre o Supremo, não vai ter como passar a pedir impeachment de ministros. Lula vai ter que insistir, no máximo, em reforma do Judiciário, como já vem fazendo", afirmou a âncora.

O debate sobre mudanças no Judiciário também envolve dois órgãos menos conhecidos do grande público, mas de grande relevância: o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

"São os dois órgãos que regulamentam todo o trabalho do Judiciário e do Ministério Público, que fiscalizam a atividade da magistratura e dos promotores. São esses dois colegiados que têm o poder para demitir membros da carreira em casos de conduta ilegal", explicou o analista de política Matheus Teixeira.

Flávio Bolsonaro, em seu plano de governo, propõe ampliar a participação da sociedade civil nesses órgãos e limitar suas competências, sob o argumento de que eles acabam legislando ao regulamentar atividades de magistrados e promotores.

Lula, por sua vez, tem lembrado que foi durante seu governo, em 2004, que esses dois conselhos foram criados como parte de uma reforma do Judiciário, justamente para limitar o poder de juízes e promotores.

No entanto, o presidente avalia que, com o tempo, os colegiados foram "capturados pelo corporativismo", sinalizando que também defende mudanças sérias nessas instâncias.

Os dois candidatos que disputam o segundo turno, portanto, convergem na necessidade de reformar o CNJ e o CNMP, embora com propostas distintas.