O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta segunda-feira (13) que "não vai ter tarifaço", em resposta a questionamentos sobre a possibilidade de os Estados Unidos aplicarem uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros. A decisão norte-americana, baseada em uma investigação sob a "seção 301", é aguardada até a próxima quarta-feira (15). A declaração foi feita após um evento em São José dos Campos (SP), onde foi lançada uma turbina movida a etanol.
O governo brasileiro intensificou as negociações nas últimas semanas, com a expectativa de uma última reunião entre representantes brasileiros e o chefe do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), Jamieson Greer, antes do prazo final. Relatos indicam que o histórico de negociações com a administração anterior e declarações públicas de Greer pesam na avaliação da postura norte-americana. "Temos tentado negociar. Acredito que ainda há uma grande distância entre nós", afirmou Greer na semana passada, indicando a proximidade do prazo legal para a decisão.
Na última sexta-feira (10), o presidente Lula reuniu-se com ministros para definir a estratégia final de negociação. A decisão foi manter a abordagem técnica, evitando concessões que o governo considere injustificadas. Temas como tarifas para o etanol, considerados de alta importância para os EUA, permanecem fora da mesa de negociação por parte do Brasil. Esta é a quinta reunião de Greer com membros do governo brasileiro, e espera-se que, neste encontro, o USTR já sinalize a decisão a ser tomada.
Embora o cenário mais provável, segundo apurações, seja a aplicação das tarifas pelos Estados Unidos, o Planalto não descarta a possibilidade de um adiamento. Uma hipótese, considerada remota, é que os EUA decidam postergar a taxação como uma manobra política. Contudo, a estratégia principal do Brasil é defender seus interesses e evitar concessões que impactem negativamente a economia nacional, mantendo uma postura firme nas negociações comerciais.