Após a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende aproveitar o capital político do início do novo mandato para impulsionar duas reformas prioritárias ainda em 2027: a reforma política e a reforma do Judiciário. A apuração é da âncora da CNN Débora Bergamasco ao CNN 360°.
A intenção é levar os debates à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal enquanto ainda existe uma espécie de "lua de mel" entre o Executivo e o Legislativo.
A reforma política tem como ponto central a rediscussão do modelo de votação para o Congresso Nacional.
Lula tem manifestado, a aliados e integrantes de seu entorno, a preocupação de que o sistema atual, por ser excessivamente concentrado na figura individual do político, possa resultar em um Legislativo formado predominantemente por influenciadores digitais, em detrimento das discussões partidárias.
Lula tem 24,4 milhões de votos no Nordeste e bate recorde do PT na regiãoMG: Lula teve virada em 76 cidades e vitória passou por ampliação no estadoAnálise: Flávio tenta herdar liderança do pai sob pressão judicial Para contornar esse cenário, a proposta envolve o debate sobre o voto em lista e o voto distrital, modelos que, na avaliação do governo, favoreceriam uma maior centralidade dos partidos políticos no processo eleitoral.
A ideia é fomentar o debate e, eventualmente, construir uma proposta em conjunto com parlamentares de esquerda e do PT para posterior envio ao Congresso Nacional.
Outro ponto da reforma política — considerado o mais delicado — é a revisão do atual modelo de emendas parlamentares. Entre os aspectos a serem rediscutidos estão a transparência na destinação dos recursos, os limites sobre para onde esses valores podem ser direcionados e o rastreamento digital do dinheiro.
Vale destacar que a reforma política depende de iniciativa do próprio Congresso Nacional, e não do Executivo. A grande dificuldade, portanto, é convencer os próprios parlamentares a abrirem mão de parte do poder orçamentário que detêm.
A reforma do Judiciário, por sua vez, é de iniciativa do Executivo e foi defendida por Lula ao longo da campanha eleitoral. O foco recai especialmente sobre o STF (Supremo Tribunal Federal).
Entre os temas a serem abordados estão os chamados "penduricalhos" — benefícios extras ainda existentes para juízes —, a criação de mandatos para ministros do STF e a revisão do sistema de indicação desses ministros, que atualmente é feito pelo presidente da República e posteriormente ratificado pelo Senado.
A urgência em tratar dessas reformas já no primeiro ano do mandato se explica pela dinâmica política. O Congresso que Lula deverá enfrentar é considerado o mais hostil de todos os seus mandatos.


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