Dados do Global Wealth Report 2026, elaborado pela UBS e divulgados nesta terça-feira (30), mostram que o número de brasileiros com patrimônio líquido superior a US$ 1 milhão cresceu 2,4% no último ano, o equivalente a 9.215 novos milionários. Com isso, o país passou a reunir aproximadamente 386 mil pessoas nessa faixa patrimonial.

Apesar do crescimento, o Brasil aparece apenas na 17ª posição entre os mercados que mais criaram milionários em termos percentuais, ficando distante dos países que lideraram o ranking, como Lituânia, Turquia, Letônia e Hungria.

População mundial cresce e impacta cenários econômico e geopolíticoPIB do 4º tri fica em 39º lugar entre 50 paísesBrasil cai e encerra 2025 como 11ª maior economia do mundo; veja ranking Embora tenha ampliado sua base de indivíduos de alta renda, o ritmo de crescimento foi inferior ao observado em diversas economias menores.

O levantamento destaca que o Brasil abriga a maior população de milionários da América Latina, superando o México, que possui cerca de 333 mil indivíduos com patrimônio milionário.

A liderança regional está diretamente relacionada ao tamanho da economia brasileira, mas também evidencia uma forte concentração de riqueza em uma parcela reduzida da população. O Brasil continua ocupando uma das piores posições globais em distribuição de riqueza.

Segundo o relatório, o país registra coeficiente de Gini de 0,81, indicador utilizado para medir a desigualdade patrimonial. Quanto mais próximo de 1, maior é a concentração da riqueza.

Entre os 56 mercados analisados pela UBS, apenas Emirados Árabes Unidos, Rússia e África do Sul apresentam níveis iguais ou superiores ao brasileiro.

O Brasil aparece à frente de economias como Estados Unidos (0,77), México (0,72), Chile (0,71), Alemanha (0,67) e Reino Unido (0,59).

Na prática, isso significa que uma parcela muito pequena da população concentra grande parte do patrimônio privado do país.

Os dados mostram ainda que o aumento da população milionária não foi acompanhado por uma melhora generalizada na riqueza dos brasileiros.

Entre 2020 e 2025, a riqueza média por adulto no Brasil recuou 3,13%, já descontada a inflação e considerando os valores em moeda local.

O resultado sugere que o crescimento patrimonial ocorreu de forma concentrada, beneficiando principalmente os grupos de maior renda, enquanto a riqueza média da população apresentou retração.

Além da riqueza média, o relatório ressaltou que o indicador de faixa patrimonial do Brasil também aparece como reforço para o cenário de desigualdade.

Em 2025, cerca de 69% da população adulta brasileira ainda possuía patrimônio inferior a US$ 10 mil.

O percentual representa uma melhora em relação ao início dos anos 2000, quando quase 90% dos brasileiros estavam nessa faixa patrimonial.

No entanto, o país ainda não conseguiu recuperar o avanço observado em 2010, quando essa proporção havia caído para aproximadamente dois terços da população (66%) antes de voltar a crescer durante a década seguinte.

A expansão da riqueza também não ocorreu apenas entre os milionários brasileiros.

Segundo o estudo, o Brasil reúne aproximadamente 43 mil pessoas com patrimônio entre US$ 5 milhões e US$ 100 milhões, grupo que apresentou crescimento médio anual próximo de 10% desde o início dos anos 2000.

No último ano o patrimônio conjunto dos bilionários brasileiros cresceu mais de 50% , impulsionado tanto pela valorização dos ativos quanto pelo aumento do número de integrantes desse grupo, de acordo com o relatório

Embora o relatório não apresente uma análise específica para o Brasil, os indicadores sugerem que a valorização dos ativos financeiros teve papel importante no crescimento da riqueza das famílias de maior patrimônio.

Segundo a UBS, 73,3% da riqueza bruta das famílias brasileiras está concentrada em ativos financeiros, como aplicações, ações, fundos de investimento e títulos privados, um dos maiores percentuais observados entre os países analisados.